Vinho & Mesa :: Ceviche e sauvignon blanc

O ceviche preparado pelo Marcel Gussoni, que também atuou como fotógrafo.

O ceviche é um prato de origem andina, patrimônio cultural de vários países como o Peru, Chile, Colômbia e Equador. Consiste basicamente num marinado de peixes de carne branca em suco de limão ou alguma outra fruta cítrica, como laranja ou mexerica, acompanhados por cebola roxa, pimenta vermelha, temperos (coentro, salsinha), milho etc.

Por ser um prato refrescante, ideal para dias de calor, encontrou muitos admiradores no Brasil, até porque não tem grande complexidade para o preparo e pode ser feito com peixes de água doce também, além de não custar muito.

Então, quando fomos convidados para um jantar na casa do Marcel Gussoni - e pudemos conhecer sua adorável família - pensei desde logo que um Sauvignon Blanc seria uma boa pedida, uma combinação clássica apontada em qualquer livro sobre harmonização entre vinho e comida.

Mas porque esse vinho é apontado como ideal?

Primeiro, porque existe uma regra intuitiva à qual não damos muita atenção: vinhos brancos combinam bem com comida de cor mais clara. Você já tinha parado para pensar nisso? Em casos assim os tintos estão praticamente descartados.

Segundo, porque a acidez do prato, tão marcante por conta do suco do limão, pede um vinho com acidez alta, como os Sauvignon Blanc de algumas regiões mais frias da Nova Zelândia ou do Chile, como Casablanca, San Antonio ou Leyda. Esses vinhos também possuem aromas e sabores condimentados, vegetais e cítricos, combinando perfeitamente com o prato.

A Viña Matetic é uma vinícola sediada no Vale de San Antonio. Seus vinhos sofrem influência do Pacífico e essa linha Corralillo tem vinhos com preços atraentes, abaixo dos R$50.

Sabendo do prato e tendo em mente essa harmonização comprei um vinho chileno de San Antonio, de uma vinícola que conheço e respeito bastante, a Matetic. É um vinho na faixa dos R$ 45-50 e quando provado sem o prato revelou-se um vinho de acidez marcante, com aromas e sabores vegetais típicos, folha de tomate, aspargos etc. Bebido com o prato caiu bem, mas passou um pouco por cima da comida, não sendo um resultado tão bom quanto imaginei.

E por que isso aconteceu? Porque a receita do ceviche contou com um toque de criatividade do Marcel, que imaginou que a acidez bem pronunciada, o coentro e a cebola roxa talvez não fossem bem aceitos por alguns dos convidados. Resultado: a acidez do vinho era alta para a elaboração, que levou leite de côco e metade do suco de limão normalmente usado, deixando o ceviche mais “adocicado”. O coentro foi substituído por cebolinha e estragão. 

Os vinhos Dos Fincas, da Viña Amalia, têm boa relação custo x benefício. Alguns deles receberam ótimas notas de críticos e publicações especializadas, custando menos de R$30.

Para minha surpresa, um Sauvignon Blanc argentino, de Mendoza, acabou se saindo melhor que o chileno, uma prova de que na prática a teoria pode ser outra.

Os vinhos com essa uva, elaborados na famosa região da Argentina tendem a ter menos acidez e serem mais frutados. Em boca as notas cítricas lembrando maracujá fizeram um casamento perfeito entre o vinho e o ceviche menos ácido e sem o sabor marcante do coentro.

E pra ficar ainda melhor: foi comprado pelo Marcel a um preço muito bom, algo em torno dos R$30. Aliás, os vinhos da Viña Amalia estão numa faixa de preços acessível e com boa qualidade média.

Foi uma ótima noite de experimentações, mas ainda melhor em razão das companhias em torno da boa mesa.

Saúde a todos!


Gil Mesquita
Professor universitário em cursos jurídicos, enófilo apaixonado, mantém desde 2006 o blog Vinho para Todos (www.vinhoparatodos.com).


Picadinho de filé com catupiry


Quando era moleque adorava suco de caju, de tanto beber o mesmo sabor desisti dele em algum lugar da infância e só voltei a comprá-lo novamente de um dois anos para cá. Na mesma linha está o chocolate branco, que também só apareceu em casa tempos atrás em uma receita que registrei no meu instagram e logo publico por aqui.

Penso que todo mundo passa por isso, mas meu paladar muda de amores sem muita razão ou períodos definidos: tenho a fase só dos peixes, em outro fico só nas massas e por aí vai.
Ultimamente ando meio carnívoro, percebo isso não só quando estou preparando receitas em casa mas também quando estou escolhendo um prato em um cardápio de restaurante. Então já aviso que vocês verão mais receitas dessa categoria em breve.

Essa receita fiz de improviso em um almoço de domingo, nem tinha planos de publicá-la, mas ficou tão gostosa que achei que vocês iriam gostar. Então aí vai:

Ingredientes:
(serve 4 pessoas) 
- 600g de filé mingnon (penso que contra-filé ou alcatra também podem ser usados)
- 200g de catupiry
- 200 ml de vinho tinto seco
- 1 cebola
- 2 colheres (sopa) bem cheias de molho de mostarda
- sal a gosto
- pimenta do reino a gosto

Preparo:
Pique a carne em cubinhos, tempere com um pouco de sal, azeite, mostarda e pimenta do reino.
Em uma frigideira bem quente refogue em fogo alto até começar a dourar. Acrescente a cebola bem picada, assim que ela amolecer acrescente o vinho e misture até reduzir um pouco. Pra finalizar acrescente o catupiry, misture e sirva imediatamente.

Para acompanhar servi essas batatinhas assadas na manteiga com alecrim e alho, mas você pode experimentar com arroz branco ou até como aperitivo junto com algumas torradinhas. Bom apetite!

Um prato com sabor intenso merece um belo blues. Com vocês Gary Clark Jr.

DreConection: Sexo e Kings of Leon

foto: divulgação

Eu não li "50 tons de cinza" e possivelmente não lerei. Porém, eu sei que em algum capítulo deste best seller há um referência a uma das músicas mais tocadas do Kings of Leon: "Sex on fire". Acho que ela só perde para "Use somebody", considerado por alguns o primeiro hit planetário do KOL.
Essas duas músicas estão em "Only by the night" (2008), quarto disco do grupo de Nashville, Tennessee, região dos Estados Unidos famosa pelos astros country. Quem conheceu essa banda pelo vídeo sexy protagonizado pelos irmãos Jared (baixo), Caleb (vocal/guitarra), Nathan (bateria) e pelo primo Matthew Followill (guitarra) não deve se sentir atraído pelas calças boca de sino, os cabelos compridos tipo hippies e as estampas exageradas do figurino do grupo em início de carreira... 


Nos dois primeiros discos - "Youth and young manhood" (2003) e "Aha shake heart break" 2004) o quarteto  mostrou que tinha cacife para uma longa carreira, mas, seria aquele o caminho a seguir? Esses caras têm uma bela história contada às custas de muito sofrimento e dúvidas sobre o que vale a pena arriscar pelo sucesso.

A estética e o som do grupo se desenvolveram e isso ficou claro no terceiro disco, "Because of the times" (2007). Foi ai que eles colocaram os pés um pouco além de Nashville. O que não significa que tenham rompido com as raízes, mas, se abriram para a loucura urbana e ficaram entre o céu e o inferno.

E o auge dessa mistura se dá em "Only by the night", um disco que se ouve da primeira a última faixa sem pensar em dar pause. 

Por isso, não tente traduzir "Sex on fire" para o português ou vai se frustrar. Vale a pena ficar ligado no conceito da música com o refrão cantarolável em arenas, o sex appeal, mas vale muito mais descobrir o que mais o Kings of Leon tem de bom.

Músicas como "King of the Rodeo", "The bucket", "California Waiting", "Molly's Chambers", "On call" e "Knocked up" são alguns exemplos. 


COME AROUND SUNDOWN

Em 2010, quando tinha os holofotes da mídia todos voltados para a banda o Kings of Leon teve um grande desafio. Corria o risco de se repetir para manter-se na crista da onda.  Eis que vem "Come around sundown". Nesse disco eles voltam a equilibrar o som da cidade com o som do Tennessee. Ponto para eles. Quando o mundo parece que vai te devorar é preciso que você tenha um lugar seguro para manter a cabeça no lugar.

AO VIVO

Tive a oportunidade de ver o Kings of Leon ao vivo três vezes e gostei do que vi e principalmente do que ouvi. Os caras têm um leque bom para variar o repertório dos shows e são convincentes no palco. 

Por exemplo, quando ouvimos "Cold desert", "Be somebody", realmente acreditamos que o cara está literalmente na merda. Você não vai lembrar que em casa esperam por ele a maravilhosa esposa, modelo da Victoria's Secret, e o filho. Parece bobo? Relembre os shows aos quais você assistiu recentemente e conte em quantos deles o artista te convenceu, por completo.

E o som do KOL é intenso, verdadeiro, inspirador... Muito mais do que só outra música que vai logo virar tema para comerciais.

DICAS
Além dos discos, se você quer conhecer melhor o KOL, recomendo o DVD "Live at 02 London, England" (Vox Music, R$ 37) e o documentário "Talihina sky - the story of Kings o Leon" (Sony Music, R$ 99).



Adreana Oliveira 
é jornalista por profissão, paixão e roqueira por uma inexplicável predestinação. Atualmente é editora de cultura do jornal Correio de Uberlândia e colunista de música.

A cozinha da Alice # 28 Torta folhada de Nutella e maças

Esse é um mês cheio de aquarianos a quem quero todo o bem do mundo.
Foi aniversário da minha conhatita, aquela moça linda que aparece por aqui de vez em quando.
Quis fazer uma espécie de torta de massa folhada, com recheio de nuvem com arco-íris, cheiro de flores, amor cavalar galopante, trevo de quatro folhas e Nutella. Uma coisa bem do jeito que ela merece. Mas só achei a Nutella e a massa folhada. Então fiz assim:


Ingredientes
- 1 kg massa folhada
- 10 maças
- 1 pode grande (gigante se possível) de Nutella
- 500 ml de creme de leite fresco
- 2 colheres (sopa) de manteiga
- 4 colheres (sopa) de açúcar
- 1 pitada de 5 spices (uma mistura de canela, anis, cravo, pimenta do reino e funcho)

Preparo
Estique a massa folhada em uma superfície limpa forrada com papel filme, ou o próprio plástico em que ela vem enrolada. Usando um prato como molde, corte 4 círculos iguais. Um deles, corte tirinhas de mais ou menos um dedo de largura. Guarde 2 tirinhas horizontais e 2 verticais pra fazer as rosas. Com as outras tirinhas, posicione na forma anti aderente intercalando uma tira vertical e uma horizontal, até formar um círculo que tenha aproximadamente o mesmo tamanho que os outros. Para as rosas, eu usei essa ideia do pinterest, a foto é bem explicativa. Coloque as rosas por cima das tirinhas. Asse tudo em forno médio até dourar.
Corte o resto das maças em pedaços pequenos, coloque em uma panela grande com manteiga, açúcar e o 5 spices. Deixe em fogo baixo até dar uma leve amolecida e aumente o fogo no final para dourá-las. Deixe esfriar.
Bata o creme de leite fresco na batedeira até ficar em ponto de neve. Com a batedeira ligada no mínimo, vá acrescentando a Nutella. Experimente para conferir o açúcar. Eu não acrescentei e ficou um pouco sem doce. Se você gosta de doce bem doce, pode colar alguma colheres de açúcar na mistura.
Monte a torta com todos os ingredientes em temperatura ambiente. A primeira folha de massa folhada, 3 colheradas abundantes de creme com Nutella, 3 colheradas de maça, outra folha e por aí vai. Por último a folha de tirinhas com as rosas.


Também fizemos esse brownie, só que com amêndoas no lugar das nozes. Polvilhei açúcar de confeiteiro com uma peneirinha por cima de tudo antes de servir.

Quando eu penso na Carol me vem em mente um  milhão de coisas bonitas.
Ela tem sempre coisas boas pra dizer. Chega num lugar, conhece uma pessoa, e tem sempre um elogio na ponta da língua. Conhatita, quando eu crescer quero ser como você.
Então essa música vai especialmente pra ela, com muito, muito amor!

Nosso primeiro brinde...

Cervil
Coluna sobre cultura cervejeira, harmonização e música. Todas as segundas quintas-feiras do mês no Sabor Sonoro.


        Cerveja! Bebida milenar fermentada, “carbonatada” e alcoólica. Proveniente do amido contido preferencialmente em grãos maltados. Segundo tradições seculares, é a união de água, fermento, lúpulo e malte. É o "pão líquido". Pode também conter outros ingredientes como frutas, chocolate, rapadura, ervas, especiarias, mel... Enfim, a cerveja.
A cerveja é filha de ambientes rigorosos e hostis, de povos consumidores de comidas fortes e nutritivas, como carne e batata, e dados à agricultura. É uma bebida eminentemente popular, porque mais barata para ser produzida, mais adaptável a climas diversos e mais generosa em suas doses, ainda que possa ser produzida com requintes e processos que a tornam uma bebida por vezes sofisticada, rica e complexa.
Também considerada a “bebida da civilização” pela elevada elaboração técnica e pela não espontaneidade de sua fabricação, pois requeria algumas tecnologias como a agricultura e a cerâmica em sua origem. É dividida genericamente em três grandes famílias que são a Lager; a Ale e a Lambic (que inclui outras cervejas de fermentação espontânea como Faro e Gueuze), embora existam cervejas que não se assentam bem em nenhuma dessas grandes classificações, como é o caso das Altbier e das Kolsch. Dentre essas famílias, circulam alegremente cerca de 150 estilos de cerveja.
            A palavra "cerveja" começou a ser usada por soldados romanos após o retorno deles de uma campanha na Gália, daí atribuir-se aos gauleses a criação da fonte latina desse termo. Plínio, o velho (22-79 d.C.) seria o primeiro, segundo historiadores, a usar a palavra “cerveja” em documentos escritos pelas mesmas razões e com a mesma acepção que se usa hoje.
              Como dizia Plutarco: "A cerveja aumenta e alimenta as amizades". Por meio dela encontrei um hobby, mais uma razão para estudar, um motivo de diversão e uma nova profissão; e foi por meio desse nobre líquido que encontrei mais alguns bons amigos, dentre eles o Marcel, que me concedeu uma grande honra quando me convidou para escrever sobre a relação entre cerveja, música e gastronomia no Sabor Sonoro. A partir de agora, escrevo aqui também sobre esses grandes prazeres com foco em harmonizações entre cerveja e boa comida, como as que povoam esse blogue quase comestível a que me uno a partir de hoje.
             Despeço-me agora com uma playlist ótima ("Quem tem groove, tem tudo") de um DJ de Florianópolis, Renato Magrini, que combina lindamente com uma bela Pilsen Premium com adição de guaraná que, além de refrescante, é, apesar do nome, bem brasileira: Göttlich, Divina Pilsen. Deem especial atenção ao funk/soul surpreendente do Rei Roberto Carlos.





Saudações cervejeiras, musicais e gastronômicas,


Estéfani Martins
Professor, sócio do restaurante Santo Malte, membro da Confraria de Cultura Cervejeira do Cerrado (CCCC) e membro da ACervA Mineira. 

Big Appetites - Christopher Boffoli

Quem diria que um dia eu estaria colaborando no Sabor Sonoro, logo o blog que mais apreciava quando escrevia para o Gordelícias. Eu ficava de cara em como o Marcel e a Alice poderiam cozinhar bem e além do mais, tirar fotos incríveis. Eis que hoje estou aqui, inaugurando meus posts que mensalmente, vão trazer algumas das coisas que mais gosto na vida: inspirações, arte, comida e internet. Espero que gostem!


Para começar, trago as fotografias de miniaturas feitas por Christopher Boffoli. Seus personagens habitam um mundo de comida: um cone de sorvete vira barraca de acampamento, um pedaço de queijo é a lua, pimentas viram bolas para um jogo de futebol. Suas fotos, além de deliciosas, são lúdicas e nos dão vontade de não parar de girar o scroll do mouse. Não é a toa que a série, intitulada Big Appetites, foi publicada em mais de 90 países ao redor do mundo. 







Via.


Carol T. Moré
Publicitária, trabalha com planejamento e conteúdo. Apaixonada por cores e internet, gosta de boas referências, tendências e tem olhos para o que é legal, inovador e original. É no Follow the Colours que você encontra algumas de suas inspirações.

Filé à Gremolata


Lembra desse risoto que publiquei dias atrás? Ele foi acompanhado por esse delicioso filé.
Estava muito afim de fazer um bom prato de "arroz e carne", mas não sabia exatamente o que combinar. Foi só ver esse video do Gordon que resolvi na hora.
A gremolata é servida normalmente com ossobuco, mas acho que acompanha bem qualquer tipo de carne, inclusive as brancas.



Ingredientes:
(4 pessoas)

Filé
- 4 medalhões de filé mignon de 150 a 200g cada
- 2 dentes de alho
- 1 ramo de alecrim
- 1 ramo de tomilho
- caldo de galinha (usei um líquido pronto, mas pode usar um cubinho)
- sal a gosto
- pimenta do reino a gosto

Gremolata
- raspas e suco de 1 limão siciliano
- 2 colheres (sopa) bem cheias de alcaparras
- 1 dente de alho (como usei no filé não usei aqui no molho)
- 1 xícara de salsinha sem os talos mais grossos
- azeite
- sal a gosto


Preparo:

Gremolata
Pique bem a salsinha e as alcaparras. Acrescente a raspa e o suco do limão, misture tudo com uma porção generosa de azeite e uma pitada de sal. 
Quer uma dica? Prepare uma porção um pouco maior para usar em outro dia como acompanhamento de outras carnes ou até na salada. Dura 1 semana fácil na geladeira.

Filé
Aqueça bem uma frigideira antiaderente, tempere os medalhões com pimenta e sal.
Mantenha o fogo alto e grelhe até dourar de cada lado, acrescente os ramos de alecrim e do tomilho, os dentes de alho amassados e o caldo de galinha. Deixe os filés grelhando neste delicioso suco por mais um minuto ou pelo tempo suficiente para deixar no ponto de sua preferência. Retire os files é reduza o liquido que sobrou na panela até engrossar um pouco.
Para servir, coloque o sobre o filé um pouco do caldo da frigideira e depois com uma boa porção de gremolata. Bom apetite! 

Para ouvir, vou deixar aqui a dica de um cara que descobri dias atrás viajando pelo Youtube: Ben Howard.


Playlist do mês: Brasil Balanço



Se você acompanha o blog com mais frequência já deve ter visto posts que fogem do tema "receitas", assunto mais frequente aqui no Sabor.
Isso é uma vontade antiga que agora começa a tomar forma com novos colaboradores, mas sem fugir da essência do blog: gastronomia e música.

Aí você me pergunta: e as receitas? Continuam aqui, sendo publicadas com a mesma frequência, a intenção é só aumentar, variar e melhorar o conteúdo.
Espero que gostem, as sugestões também são muito bem vindas, deixe seu comentário ou mande um email pra contar o que acha das novidades, ok?

Então hoje inauguramos outra coluna do lado Sonoro do Sabor, a playlist do mês.
Como fevereiro é o mês do carnaval, fiz uma mix de músicas brasileiras para você remexer.
Um pouco de MPB, Samba e Bossa da velha e da nova geração. Em comum o balanço e a alegria que só a nossa música tem.

Aproveito para indicar o 8tracks, uma rede social onde você pode criar suas playlists, descobrir e curtir novos sons. Indispensável para quem gosta de música. Em casa normalmente embalo as noites com algum mix bacana que encontrei no site.
Também estamos lá: 8tracks.com/saborsonoro

A cozinha da Alice # 27 - Gastropicália


Eu ia começar dizendo que esses dias fiz um jantar que me deixou muito feliz. Que conheci pessoas incríveis. Daí me lembrei que todas as postagens anteriores começaram assim. Cada dia que passa me dou conta de quão abençoado é esse meu trabalho. Cada evento é de fato único, uma experiência que harmoniza sabores a assuntos, que por sua vez se unem a abraços. As novas pessoas que conheço me mimam mais que eu as tento mimar com as minhas comidinhas. Parece que já somos amigos. Acho que o blog nos fez uma família enorme de pessoas queridas, cheias de curiosidade e amor pela gastronomia, cheia de risadas e boa vontade pra fabricar cada vez mais amigos.

Dessa vez foi em Brasília. Amei rever a Stef, conhecer a queridíssima Glau, e suas amigas maravilhosas. Assim como Danielle, Regina e todo mundo! Agradeço também a querida Régia, proprietária do Quintal Bistrô, por nos proporcionar essa noite inefável e por me ensinar tantas receitas igualmente excepcionais.  E a amada Carol, com seu toque mágico faz tudo ficar mais charmoso.

Alegria, alegria!



Então, o jantar.
A inspiração dessa vez foi a música: Tropicália. Assim como foi o movimento tropicalista, a gastronomia, hoje, tem vivido um momento de extrema mistura e criatividade. Amalgamando delícias bem brasileiras a ingredientes e receitas estrangeiras, criando uma ruptura na tradicionalidade, grande miscigenação cultural culinária, permitindo uma liberdade enorme na elaboração dos pratos. Pra mim, o ingrediente principal foi a alegria.



Palitos de parmesão com gergelim preto - receita em breve aqui no Sabor Sonoro

Menu

-Drink de abertura - Superbacana
Caipirinha de picolé, geladíssimo picolé servido com quentíssima pinga de engenho.

-Entrada I –  Geleia geral
Gelatina de cachaça e alcaparrona
Palitos de parmesão e gergelim
Pera assada com gorgonzola

-Entrada II -  Panis et circences
Brusqueta com gaspacho e abacate / brusqueta com chutney de tomate e gengibre

-Salada – Objeto semi-identificado
Pra quem gosta de comer  uma salada, cultura, feijoada, lucidez, loucura.
Gaiola de quiabo assado, espuma de pimenta e folhas

-Principal - The three mushrooms com Miserere Nobis
Um risoto especialmente feito To get inside the magic room Of Dionisius’ house
Cevadinha, alho negro e mix de cogumelos comestíveis com um delicioso refogadinho de ora pro nóbis

-Sobremesa – Minha Zabelê
Toda meia noite eu sonho com você

Caipirinha de picolé, na foto melancia e limão

Gelatina de pinga e alcaparrona

Mini pera assada com gorgonzola

Brusquetas, gaspacho e chutney de tomate e gengibre

Brusqueta de gaspacho
6 porções

Ingredientes

- 2 baguetes "de ontem"
- 300g tomatinho uva
- 1 pimentão amarelo pequeno
- 1 suco e raspas de limão
- 1 dente de alho
- 1 colher sopa salsão ralado
- 1 abacate pequeno em fatias finas
- sal e azeite

Preparo

Coloque o pimentão direto na chama do fogão e vá girando para queimar todos os lados. Espere esfriar e retire a pele e as sementes. Corte o pão em fatias de 2 centímetros e leve ao forno alto por 5 minutos. Enquanto isso corte os tomates em 4, o pimentão em cubinhos e adicione todos os outros ingredientes. Retire o pão do forno e coloque uma colherada abundante do gaspacho, uma fatia de abacate e sirva imediatamente.



Salada Objeto semi-identificado
6 porções

Ingredientes

- 1 alface americano
- 1 alface roxo
- 600g quiabo
- 500ml creme de leite fresco
- 2 pimentas dedo de moça sem semente
- 1 pimenta bode sem semente
- sal
- 1 colher (sopa) de vinagre

Preparo

Asse os quiabos inteiros em forno alto até que fiquem levemente queimadinhos. Reserve. Corte as folhas de alface bem fininhas. Bata no liquidificador as pimentas, sal, vinagre e creme de leite fresco. Se tiver um sifão culinário, coloque essa mistura nele, se não, bata a mistura na batedeira até formar uma espuma parecida com as de clara em neve. Faça um "ninho" no fundo do prato usando o alface picadinho. Por cima, monte os quiabos colocando camadas de dois em dois como o símbolo "#". Por cima de tudo coloque uma boa colherada e espuma de pimenta. Sirva imediatamente.

Risoto de cevadinha com alho negro e cogumelos, com refogado de ora pro nóbis
A cevadinha também já apareceu algumas vezes aqui no blog, nessa receita, fiz um mix de cogumelos (paris, shitake e shimeji), refoguei com alho negro, por cima de tudo coloquei ora pro nóbis passado no azeite e sal. Para acabamento fiz um reduzido de shoyo, vinagre e açúcar.







Panna cotta e tartar de frutas

A sobremesa foi tirada aqui do blog, as receitas estão aqui e aqui, só troquei a baunilha por raspas de limão na panna cotta, e coloquei hortelã no tartar. Pra enfeitar, fiz uma calda com geleia de frutas do bosque da Bonne Maman.









A trilha sonora da noite também foi um delícia! Por aqui vamos ficar com Mutantes.






Alice Gussoni
Mãe de dois lindos gêmeos. Artista Plástica. Vegetariana. Nas horas vagas é ilustradora infantil e em tempo integral uma louca apaixonada por cozinha. Pilota A Cozinha da Alice, fazendo gostosuras por encomenda, eventos e cursos gastronômicos.

Vinho & Mesa :: O clássico polpettone vai bem com...

Foto: Thinkstock

Os brasileiros gostam muito da culinária italiana e aqui em casa não é diferente. Dificilmente passamos uma semana sem pizzas ou outras massas e uma das nossas receitas favoritas é o polpettone, um clássico italiano que apareceu há mais de quinhentos anos e que resolvemos fazer para testar a harmonização de hoje. 

Pedi à Érika, minha esposa, que me ajudasse nisso tudo, até porque essa brincadeira poderia render outros textos para o blog Vinho para Todos e para a coluna de gastronomia do Jornal Correio, onde ela assina a coluna Bem Vinho, aos domingos.

Não há grande mistério em harmonizar o polpettone com vinho, até porque esse bolinho de carne pede um tinto para acompanhar. Mas diante de tantas opções no mercado, qual seria a melhor escolha?

Um dos critérios mais utilizados leva em consideração as características predominantes do prato. No caso do polpettone, ele vem servido de várias maneiras, dependendo de quem executa a receita. Pode ser acompanhado por uma massa com molho, macarrão ao alho e óleo, com purê de batata, com arroz branco, com batatas fritas etc.

No caso da nossa receita o acompanhamento foi um espaguete com molho vermelho (ao sugo), feito com tomates muito maduros. Esse molho dá o tom para a harmonização, porque sua acidez é que determinará se o tinto conseguirá ou não acompanhar o prato. Se o vinho tiver pouca acidez, perderá espaço quando for bebido junto com a comida.

Esse é um exemplo de harmonização por semelhança, em que buscamos elementos que se aproximem no vinho e na comida. No caso do vinho, a acidez é uma sensação percebida na lateral da língua, em alguns casos com alguma adstringência ou irritação, mas especialmente quando salivamos após o vinho ser engolido.

Então, definido que precisamos de um vinho tinto e com boa acidez, que outros fatores podem ser levados em consideração? Um dos mais utilizados é harmonizar pratos regionais com vinhos regionais. Já pensou o quanto essa ideia é simples? Bacalhau com vinho português, cassoulet com vinho francês, paella com vinho espanhol, polpettone com vinho... italiano!

Pronto! Temos três informações importantes que facilitam nossa busca.

E nesse tipo de harmonização com molhos à base de tomates a mais aclamada é com os vinhos feitos com a uva Sangiovese, uma campeã de acidez dentre as uvas tintas, a partir da qual são elaborados muitos vinhos famosos na região da Toscana, alguns caros, mas alguns bastante acessíveis como os Chianti.

Se tivéssemos apostado num Chianti certamente teríamos acertado. Mas quisemos ir além e experimentar outra harmonização, também com um vinho italiano, mas vindo do Piemonte e elaborado com a uva Nebbiolo.

Fontanafredda Nebbiolo Langhe DOC 2007 - Foto: Gil Mesquita

Essa uva dá vinhos excepcionais, como os Barolo e Barbaresco, com muito corpo, taninos poderosos e muita acidez. São vinhos caros e que só demonstram o seu melhor depois de muitos anos “amaciando” esse conjunto todo. Por isso escolhemos um Nebbiolo mais simples, da região do Langhe, também no Piemonte, mas encontrado na faixa dos R$70.

O vinho apresentou uma acidez marcante que dominou bem a acidez do molho, limpando a boca quando bebido, mas deixando uma lembrança gostosa tanto da comida quando do vinho. Aliás, o vinho melhorou o prato, ou seja, acrescentou sensações à refeição que antes dele não existiam, sem “atropelar” a comida. Seus aromas e sabores lembrando alcatrão, chocolate e ameixa formaram um conjunto complexo na boca.

O Chianti seria um acerto, mas se for um vinho muito simples, talvez não acrescente tanto ao prato.

Mas não se esqueça: a harmonização não é uma equação matemática, porque envolve percepções e gostos pessoais. Por mais que existam critérios universais o que importa é que você goste da combinação.

Espero que apreciem a sugestão.

Saúde a todos!


Gil Mesquita
Professor universitário em cursos jurídicos, enófilo apaixonado, mantém desde 2006 o blog Vinho para Todos (www.vinhoparatodos.com).


Vinho & Mesa :: Harmonizar é preciso

Foto: Thinkstock
Quando comecei a me aprofundar nas leituras sobre o vinho, elegi como um dos temas mais complexos a harmonização, a combinação entre os pratos e os vinhos mais adequados para acompanhá-los. E mesmo depois de quase sete anos escrevendo a respeito desse vasto mundo, o tema ainda está no topo da minha lista de dificuldades.

Ao receber o convite do Marcel Gussoni para colaborar com o blog Sabor Sonoro, fiquei duplamente feliz. Primeiro porque é uma honra participar de um dos mais respeitados blogs de gastronomia do país, que está na lista de meus preferidos desde sempre. Segundo porque é um desafio escrever sobre harmonização e ao aceitar o convite acabei me comprometendo a estudar cada vez mais sobre o tema, para que as colunas mensais sejam realmente úteis aos leitores.

Mas, você já parou pra pensar por que é tão difícil harmonizar vinho e comida? Ou quantas vezes não levou o vinho para a casa de um amigo porque ficou com receio de não dar certo?

Acredito que a principal explicação pra tudo isso se deve ao fato de que nós, brasileiros, ainda estamos engatinhando quando se trata da cultura do vinho. À exceção dos que moram em regiões produtoras de vinhos, como na Serra Gaúcha, a maioria de nós foi conhecer o vinho já na vida adulta e de forma pouco intensa.

Essa falta de costume nos leva a beber o vinho apenas como aperitivo e não como um elemento essencial para uma refeição perfeita. Os italianos, portugueses e franceses, povos com séculos de vivência no mundo do vinho, não pensam assim, porque têm o vinho como parte de sua cultura gastronômica.

Tudo isso causa outro problema que considero grave quando se fala nessa bebida, que é sua glamourização. Damos importância demais ao vinho, suas características aromáticas e gustativas, e de repente nos vemos procurando explicação para nossas sensações quando deveríamos apenas bebê-lo e aproveitar o prazer que ele nos proporciona. Deveríamos apenas aproveitar a companhia da família e dos amigos e nos pegamos girando a taça à procura de um aroma que parece estar tão próximo de ser descoberto. 

Muitas pessoas que não se acham capazes de descreverem essas sensações acabam intimidadas à mesa e cada vez menos interessadas em conhecer o vinho, porque parece pertencer a um mundo inalcançável.

Então, essa colaboração mensal que estará aqui no Sabor Sonoro na 4ª quinta-feira de cada mês tem por objetivo dar dicas úteis na escolha do vinho para harmonizar com a comida ou escolher o prato a partir do vinho que você tem em casa. Essas dicas, na medida do possível e considerando a dificuldade dos temas, virão em linguagem simples, mas com alguma explicação para justifica-las, para que não fiquemos apenas no trivial “carne vermelha com vinho tinto” e “carne branca com vinho branco”, embora sejam regras importantes também.

Amanhã as primeiras dicas estarão aqui na coluna Vinho & Mesa, quando começaremos a falar de alguns critérios utilizados universalmente para que esse casamento entre vinho e comida seja perfeito.

Saúde a todos!

Gil Mesquita
Professor universitário em cursos jurídicos, enófilo apaixonado, mantém desde 2006 o blog Vinho para Todos (www.vinhoparatodos.com).

Dica: Brie com mel e nozes



Dias atrás publiquei no meu Instagram a foto de um Brie quente com geléia, além da repercussão dos vários comentários do tipo "uhnn", "adoro", "delícia"; minha amiga Elen sugeriu a combinação de mel com amêndoas. Na hora fiquei na vontade de experimentar.
Na primeira oportunidade fiz o teste, mas troquei as amêndoas por nozes, mais por falta de estoque do que opção. Ficou delicioso!


O mais bacana é a possibilidade de combinações: geléias diversas, várias castanhas, frutas secas...
Além disso é praticamente um fast-food com estilo. Se você tiver todos os ingredientes em casa, é uma entrada saborosa e sofisticada pra fazer em 2 minutos.


Então fica a dica, o único cuidado é o tempo de microondas para que o queijo não esquente demais e "desmorone", o que tira todo o charme do prato.
Minha sugestão é que você coloque 1 minuto em potência mínima e veja se ele já amoleceu. Se não for o suficiente coloque mais 30 segundos, sempre em potência mínima.
Fácil demais né?! Bom apetite!

Em homenagem à terra do Brie, vamos de Ingrid St-Pierre.

DreConection :: Violins

Estreio hoje no Sabor Sonoro. Mais uma entre tantas que já fiz. E sempre aquela dúvida sobre como começar bem. A vantagem é que a música não me abandona nunca e quando preciso dela está aqui, ao meu alcance, não importa em que formato.

Meus primeiros textos foram publicados no esquema de xerox, com cópias distribuídas a um seleto grupo de outsiders de Uberlândia. Hoje, pela primeira vez redijo direto no iPad, o que não considerava possível. Sou old school em tantos sentidos... E sou resistente a mudanças. Porém, não tenho vergonha de dar o braço a torcer quando essas mudanças são realmente para melhor.


Nicolas Gomes/Divulgação. 
AMOR: VIOLINOS E LIVROS VELHOS
Por isso, a primeira banda escolhida para sua apreciação no Sabor Sonoro é a Violins, de Goiânia. Meu caso com eles foi amor à primeira audicão. O ano era 2001. Chovia na capital goiana e em um pequeno teatro eu senti o então Violins & Old Books. Senti nos ouvidos e na alma. Soube logo que era uma das primeiras apresentações do grupo que lançava o EP "Wake up and Dream" (2001). A voz de Beto Cupertino tornava-se ali, para mim, um marco no indie rock nacional.

Divulgação

Criei um caso de amor com músicas como "Fireworks", "Camus" e "Mirrors". E o Violins & Old Books entrou, definitivamente, no meu playlist de favoritos. Mas um verdadeiro amor não está imune ao tempo e nem às decisões tomadas de forma unilateral. O amor está sujeito a rachaduras em sua estrutura. E não demorou muito para que meu relacionamento com o Violins & Old Books fosse abalado.

TRAIÇÃO: ADEUS AOS LIVROS VELHOS
Em 2003 eu me senti traída. Me deparei com um novo disco, "Aurora Prisma". O Violins deixou de lado o Old Books e o inglês. Não sei ao certo, mas chegou a cogitar-se que o vocalista e guitarrista Beto Cupertino não aguentara tantas comparaçoes com Thom Yorke, líder do Radiohead. "Até parece que foi ele quem inventou o falsete", me disse uma vez o Beto em uma das entrevistas que fiz com ele. Agora o Violins cantava em português. E eu, como taurina resistente a mudanças, não aceitei. E a partir daí, rompi com a banda.

SEGUNDA CHANCE: GRANDES INFIÉIS 
Um amor de verdade a gente nunca esquece. Ele sempre volta de uma forma ou de outra. Minha birra com o Violins durou quase três anos. E, com o sugestivo título "Grandes Infiéis" (2006) saiu mais um disco. Mas eu não cedi facilmente. Deixei ele por muitas semanas engavetado e fechado. Pensava se valia a pena tentar de novo. As possibilidades eram poucas. A chama seria acesa novamente; a decepção seria definitiva ou despertaria um terrível sentimento: a indiferença.

Com minha mania old school que ainda preservo, abri a embalagem, vi o encarte, li as letras, a ficha técnica e coloquei no CD player para tocar. Foi um tapa na cara. "Hans", a faixa de abertura, me derrubou direto, sem direito a rede de proteção. E a queda foi doce e cheia de obstáculos que só fizeram minha admiração aumentar. Ao ouvir composições como "Atriz" e "Vendedor de rins" eu caía sem medo de me quebrar porque a primeira impressão ainda valia. Beto Cupertino é mesmo um compositor ímpar da sua geração. E as melodias, arranjos e toda a sonoridade do disco ia do sufocante ao êxtase, sem que eu saísse do lugar.

Divulgação

ATÉ QUE...
E até hoje, o Violins não me decepcionou. Além de melhorarem consideravelmente no palco a cada fase, vieram "Tribunal Surdo" (2007), "Redenção dos corpos" (2008), "Greve das Navalhas" (2010) e "Direito de ser nada" (2011). Por essas e por outras é que sou obrigada a discordar quando me dizem que não há "bandas que prestam" no mercado nacional. Mais de 10 anos se passaram e como um bom vinho o Violins segue ainda sem comparativos. Abordam temas difíceis, da criminalidade a traições, da homofobia à corrupção; de um jeito que passa longe da vulgaridade, que não é de fácil degustação, mas que garante um prazer refinado a quem se permite experimentar e apreciar sem moderação. 

O Violins é uma banda da gravadora goiana Monstro Discos, que assim como eu, acredita que santo de casa faz milagre.

Saiba mais:
Ouça "Direito de ser nada" no www.violins.com.br e faça o download dos discos anteriores na faixa. Por lá você também confere os links para as redes sociais da banda. Se te conquistarem, pode comprar os discos e receber em casa: www.monstrodiscos.com.br.

Assista "Hans" em uma gravação amadora que fiz durante o festival Bananada de 2008, em Goiânia: 

VIOLINS É:
Beto Cupertino (voz e guitarra)
Fred Valle (bateria)
Pedro Saddi (teclado e piano)
Thiago Ricco (baixo)

Ex-integrantes não menos importantes:
Léo Alcanfôr (guitarra)
Pierre Alcanfôr (bateria)
Timóteo Madaleno (baixo)




Adreana Oliveira é jornalista por profissão, paixão e roqueira por uma inexplicável predestinação. Atualmente é editora de cultura do jornal Correio de Uberlândia e colunista de música.