Vinho & Mesa :: Jerez, um vinho para harmonizações difíceis

Um prazeroso petisco, rápido e fácil.

Desde que assumi a responsabilidade de colaborar mensalmente com o Sabor Sonoro passei a observar melhor as oportunidades de harmonização que tenho e numa dessas apareceu a chance de escrever sobre um dos vinhos mais importantes do mundo, mas que não é muito comum em nosso dia-a-dia, o Jerez.

Essa oportunidade surgiu de uma ideia do Marcel Gussoni de elaborar um aperitivo à base de pêra, gorgonzola, prosciutto e rúcula. Quando me enviou a foto do petisco pensei: doce, salgado, gordura, picância e amargo. Com tantas sensações diferentes ou vamos de espumante ou vamos de Jerez, porque ambos são vinhos “coringa” em harmonizações. Mas, diante de um desafio tão interessante, optei por experimentar a opção menos frequente em nosso cotidiano.

Primeiramente é bom explicar resumidamente o que é o Jerez, também conhecido como Xérès ou Sherry.

É um vinho produzido há cerca de 3.000 anos na região espanhola da Andaluzia, próximo à cidade de Jerez de La Frontera, o que explica seu nome. É um vinho fortificado, ou seja, existe o acréscimo de aguardente vínica.

As uvas mais utilizadas são a Palomino e a Pedro Ximenez e às vezes a Moscatel, podendo variar do extremamente seco ao doce. Os tipos mais comuns são Fino, Amontillado, Manzanilla e Oloroso.

Em nosso caso o vinho era Fino, elaborado com uvas Palomino. A elaboração desse tipo é basicamente a seguinte: elabora-se um vinho fermentado em barricas de carvalho. Essas barricas são preenchidas parcialmente (cerca de 5/6 de sua capacidade) deixando um pouco de ar em seu interior, com a finalidade de permitir a formação de uma película que é chamada de “flor” pelos enólogos, fruto da ação de uma levedura (Sacharomyces). Estando pronto o vinho, acrescenta-se aguardente vínica, um destilado de uvas que torna o vinho “fortificado”, elevando seu teor alcoólico para a casa dos 15%.

Esses vinhos mantêm uma homogeneidade independente da safra, o que é possível através do sistema de soleras, no qual os vinhos de safras mais recentes são misturados aos de safras mais antigas para que essa mescla garanta resultados semelhantes a cada ano.     

Jerez do tipo Fino deve ser servido à temperatura dos brancos, entre 7 e 9ºC. Tem visual dourado claro, com aroma bem presente de amêndoas e na boca é seco, de pouco corpo e acidez discreta, com teor alcoólico em torno dos 15,5%. Nos aromas a ideia é de que seja um vinho mais adocicado, mas na boca é surpreendentemente seco.

Os aromas dão uma ideia, na boca a sensação é outra!

Essas características sensoriais tornaram o Jerez famoso por ser o par ideal para ingredientes difíceis, portanto, muito versátil à mesa. Nos livros sobre vinhos é o acompanhamento ideal para tapas e para o jamon, famoso presunto cru espanhol. Mas também suporta todos os pratos que são o terror dos vinhos tranquilos, como aspargos, alcachofras, comida picante, saladas com vinagre, peixes defumados, azeitonas etc.

O aperitivo foi uma mistura de sensações muito interessante, daquelas em que seu cérebro busca identificar em cada pedacinho o sabor que ali está. Mas, quando bebido com o Jerez a experiência elevou-se a um patamar que eu particularmente não tinha imaginado, porque o vinho acrescentou ao petisco um sabor que ainda não estava lá. Além de “limpar a boca” porque é muito seco o vinho deu à comida as notas de amêndoas que não estavam presentes nos demais ingredientes. No final de boca ainda era possível sentir a presença de todos os ingredientes em equilíbrio.

Esse é um resultado que nem sempre conseguimos nas harmonizações, ou seja, tanto a comida quanto o vinho ficaram melhores na companhia um do outro.

O vinho que abrimos é elaborado pela González Byass, vinícola fundada em 1835 e custa na faixa dos R$80-85.

Saúde a todos!


Gil Mesquita
Professor universitário em cursos jurídicos, enófilo apaixonado, mantém desde 2006 o blog Vinho para Todos.

A cozinha da Alice #31 - Menu Veg



Ainda sou aluna, e acho que vou ser eternamente. Mas, de vez em quando, me atrevo a dar aulas pra passar pra frente as coisas que aprendi até agora. Especialmente massas e comidas vegetarianas. Na verdade, mais parece um vício esse. Basta alguém me perguntar se naquele prato vai queijo: quando percebo, lá estou explicando a receita toda, pela segunda vez, sem ninguém ter me perguntado.

O último workshop foi um menu vegetariano, com gulodices e delícias cheias de saúde. Fiquei encantada com as alunas que, além da paixão pela culinária, também tinham uma lista quilométrica de afinidades ...então, mais que alunas, são amigas. Um beijo no coração de cada uma!



Fizemos salada de maçã e repolho, abóbora assada com queijos, macarrão com molho de limão e tomatinho cereja, um quibe incrível com uma receita super versátil que dá pra inspirar outras 100. Pra finalizar, um tiramisu de preguiçoso. 

A salada é muito prática: basta cortar fatias finas de maçã e repolho, intercalar cada um deles colocando uma colherada de cotagge, uma ervinha de sua preferência e uma pitadinha de sal.




Para fazer essa abóbora, misture vários queijos da sua preferência (usei ricota, muçarela, gorgonzola em proporções iguais), coloque dentro de uma abóbora que foi pré-assada por 30 minutos em forno alto, e volte pro forno mais uns 20 minutos pra derreter os queijos.

A sobremesa é surpresa porque vai ser assunto pra outro dia.




O quibe foi a parte mais divertida, porque cada um criou uma combinação diferente. No final, experimentamos 10 versões deliciosas - teve até votação (o meu perdeu feio!). A receita já apareceu aqui no blog com algumas variações, mas vou colocá-la novamente, com algumas sugestões de substituições, seja pra massa, como para o recheio:

Rocambole de trigo
6 porções

Ingredientes
- 250g de trigo para quibe
- 3 berinjelas grandes
- 30g funghi secchi (opcional)
- 1 cebola pequena
- 1 caldo de legumes
- 4 colheres (sopa) shoyo
- 2 colheres (sopa) farinha
- 1 ovo
- azeite e sal
- semente de girassol
Recheio
- 200 g cogumelos refogados
- 1 maço de manjericão italiano
- castanha do Pará picada

Preparo

Hidrate o trigo em 1 litro de água por 30 minutos. Escorra toda a água em um escorredor ou dentro de um pano de prato, tente deixar o mais seco possível. Descasque a berinjela e corte em cubinhos pequenos. Salpique um pouco de sal e deixe por 15 a 20 minutos. Em um escorredor, lave-as e esprema bem para sair toda a água. Isso faz com que não fique amarga. Refogue a cebola no azeite até dourar, adicione o funghi e as berinjelas, o shoyo, caldo de legumes, meia xícara de água, até dourar a berinjela e hidratar bem o funghi, então, acrescente o trigo e a farinha. Misture bem até dar liga. É fácil perceber, porque vai soltando da panela e virando uma massa. Depois de desligado, misture um ovo.
Estique essa massa sobre um pedaço de papel alumínio, espalhe o recheio e enrole, como um rocambole. O papel alumínio ajuda a dar firmeza e a não quebrar a massa.
Coloque o rocambole em um assadeira untada e salpique semente de girassol. Leve ao forno alto até dourar.


1001 variações
Substitua!
Já testei com muitos ingredientes no lugar da berinjela, assim como recheios e formatos diferentes. Essa receita também pode virar almôndegas, quibe assado ou frito, hambúrguer e bolo de “carne”,
Substituições possíveis: batata, inhame, abóbora, grão de bico, lentilha, arroz, ricota. Tudo deve estar bem cozido e em forma de purê. Dessa forma, não precisa ser refogado, basta misturar ao trigo já hidratado. A quantidade é sempre no “olhometro”, mas, pra simplifica, imagino colocar a mesma quantidade de purê e de trigo já hidratado e escorrido. 

Recheios
Se as opções de substituições são grandes, as de recheios são infinitas! Viaje e invente suas preferidas, mas caso precise, seguem algumas sugestões:
- gorgonzola e ricota
- tomate, palmito e muçarela de búfala com manjericão
- tofu defumado (combina lindamente com lentilha)
- cogumelos refogados na manteiga e salsinha
- nozes com ricota e alcaparra
- brócolis no alho
- tomate seco com queijo
- amêndoas tostadas e legumes
- cambotiá em cubinhos com sálvia e manteiga
- espinafre

Para acompanhar, dois lindos vegetarianos que adoro: 

Receitas de Páscoa

A Semana Santa e a Páscoa estão chegando, mas nos supermercados tenho a impressão de que estão colocando ovos pendurados desde o carnaval....
O que para alguns pode parecer restrição para mim é um grande prazer: adoro peixes e o blog está cheio de receitas para você experimentar.
Pra facilitar a busca, junto aqui algumas opções que podem fazer parte do seu cardápio. Algumas entradas, muitas receitas de peixe e sobremesas para você testar nos encontros gastronômicos desta época.
Desejo uma Páscoa deliciosa para todos!



Entradas e Saladas
Queijo Brie com mel e nozes: pensa em uma entrada rápida e elegante. Encontrou. 
Minha salada preferida: adoro está combinação de cores e sabores 
Ceviche de salmão e maça verde: uma variação do clássico peruano. 
Rocambole de mussarela de búfala: prato lindo, leve e delicioso criado pela Alice.



Pratos com Bacalhau
Bacalhau assado e cuscuz marroquino: uma combinação que você precisa experimentar.
Conchiglione de bacalhau: recomendo muito se você gosta deste peixe e de massa como eu. 
Arroz de bacalhau: receita simples e muito saborosa. 


Peixes e frutos do mar
Salmão grelhado e purê de batata salsa: se você gosta de temperos picantes precisa experimentar o molho que acompanha este prato.  
Tilápia grelhada e arroz de coco: gosta de coco e nunca o misturou no arroz? Faça essa receita já! 
Tucunaré assado: esse é pra turma que gosta de assar os peixes inteiros. 
Minha peixada: não canso de fazer esta receita. 


Doces e Sobremesas
Sobremesa de chocolate e doce de leite: tem como essa combinação dar errado? 
Tortinha de chocolate: um jeito diferente de servir.
Tortinha de ganache de chocolate com calda de maracujá: uma combinação clássica! 

Receita de wrap de salmão defumado, cottage e tomate cereja



Todo mundo conhece esta cena: você chega em casa, cansado pra caramba, uma fome de náufrago e abre a geladeira. Um eco estilo Grand Canyon reverbera pelas prateleiras vazias. Você xinga baixinho e  estoura um saco de pipoca de microondas.

Dia desses pensei que essa cena ia acontecer comigo, mas por sorte encontrei três massinhas de Rap 10, uns tomatinhos na gaveta e um restinho de queijo cottage. Já estava feliz quando lembrei que tinha umas fatias de salmão defumado no freezer. Alegria total e a sensação que os anjos conspiraram ao meu favor, achar salmão defumando no freezer não é uma coisa muito comum...
Daí saiu esse wrap delicioso e super leve. Perfeito para uma refeição noturna.


Pode ser que você não tenha um ou vários desses ingredientes aí, de bate pronto, mas a possibilidade de variações é tão grande que você pode brincar a vontade.
Só para exemplificar:

- Ricota / cenoura ralada / peito de peru
- Queijo tipo Minas / presunto / manjericão /
- Cream cheese / pepino / kani / 
- Mussarela de búfala / tomate seco /
- Ricota / Nozes / Passas

E por aí vai...

Meus ingredientes viraram um cone, mas pode ser feito em um pão, massa de crepe, e para os mais "lights" até sem o carboidrato.

O meu fiz assim:
- Enrolei as massas e coloquei uma do lado da outra para não abrir, assei por 10 minutos em forno preaquecido, até começar a dourar.
- Misturei o cottage com os tomates picados, um fio de azeite, pimenta do reino e cebolinha picada.
- Esperei o cone esfriar, acrescentei a mistura de cottage e sobre ela coloquei uma fatia de salmão defumado. Decorei com cebolinha picada.

Fácil né? Agora é só fazer a sua combinação, bom apetite! 

E com vocês KT Tunstall. Adoro a voz dessa mulher.

Sorteio Calendário Sabor - Resultado


Olá pessoal!
Hora de divulgar os 10 ganhadores do calendário do Sabor. Usei o random.org para sortear números entre 01 e 79, quantidade de comentários publicados.
As mulheres dominaram a lista toda!


67 - Cássia Regina
64 - Celina Lemier
26 - Daniela Alves
08 - Cristiane Herold
10 - Thassila Vieira
76 - Micheli Horbach
38 - Maristela Benelli
05 - Karina Mendes 
27 - Denise (mrsdenisef@...)
24 - Marcia (marciamore2010@...)

Não se esqueçam de enviar o endereço completo para saborsonoro@gmail.com, ok?! 
Parabéns meninas, espero que aproveitem bastante! 


A cozinha da Alice #30 - Quaresmeiras


Ando colecionando lindos desafios, se é que se pode dizer assim. O último foi criar um jantar finger food, tudo em tons de roxo, com inspiração nas “quaresmeiras que estão lindamente floridas por aí”, como disse a cliente. Fácil? Nem tanto. Mas desafios são sempre pra mim uma excelente motivação.
Marcela é paisagista e arquiteta, ama comer bem e, principalmente, com charme. Acredito que ela gosta mesmo é de coisa bonita.  Trabalho, casa, roupa, pele, cabelo, tudo dela tem o toque da delicadeza e do esmero de quem valoriza cada detalhe. Como colocar a mesa como se fosse pra aparecer na TV, ainda que seja só pra ela mesma. E dá uma lição pra gente que guarda a louça boa só pra ocasiões “importantes”. Ela e a amiga Otávia fizeram um blog sob medida pra quem adora surpreender: Colocando a mesa com charme.
Então, com tanta belezura roxa fiz o seguinte menu:


aspargos e prosciutto

cappuccino de de beterraba com espuma de manjericão

salada de maça verde e repolho roxo com 5 spices e mini quiche de beterraba com amendoas







mil folhas com ervas

risoni com tapenade de azeitona azapa e tomilho

cone de guacamole

um dos meus preferidos


espetos de figo e queijo coalho flambados e ao fundo mini quiche de blue cheese com radicchio


cheesecake de blueberry

Além desses tinha também espetinhos de uva com camembert e bruschetta de caponata com cogumelos e pimentão roxo. 
Me encantei com uma receita que vi na folha de São Paulo de cheesecake que não vai cream cheese, e é cozido como um pudim. Adorei o resultado, então aí vai a receita:


Cheesecake de blueberry
10 porções

Massa

1 pacote de bolacha maisena
100 g manteiga

Recheio

1 lata de leite condensado
1 ricota pequena  (aproximadamente 300g)
3 ovos
1 copo de blueberrys
Raspa e suco de 2 limões

Preparo

Triture a bolacha e a manteiga, despeje em uma forma de fundo removível, asse por 10 minutos em forno pré-aquecido a 200°.
Em um liquidificador, bata todos os ingredientes do recheio e coloque por cima da massa já pré assada. Envolva a forma em papel alumínio e asse em banho- maria por 40 minutos.
Espere esfriar e conserve em geladeira até a hora de servir.

Pra acompanhar, uma chuva que fez milhões de corações explodirem em roxo nos anos 80.


Cervil: Cerveja, gastronomia e harmonização

Foto: Marcel Gussoni

Cerveja, gastronomia e harmonização


“Gastronomia é comer olhando pro céu.”
 (Millôr Fernandes)

“Quem não se importa com o próprio estômago, dificilmente se irá importar com outra coisa.”
(Samuel Johnson)

“Comer, beber, e amar... O resto não vale um níquel.”
(Lord Byron)

Desde sempre a cerveja manteve uma forte e próxima relação com os alimentos, sua origem agrícola e associação à produção de pão é uma demonstração inequívoca disso.
Entretanto, comumente, a cerveja é vista sem protagonismo no universo da gastronomia, ainda que isso tenha mudado muito, graças ao trabalho de chefs jovens e ousados ou mesmo de mestres como o cervejeiro da Cervejaria Brooklin (New York) e gastrônomo Garrett Oliver. Isso ocorre - especialmente no Brasil - muito em função de a cerveja ainda ser vista prioritariamente dentro de um contexto associado a entretenimento festivo e descompromissado, o que pode ser ótimo, porém essa visão esconde inúmeras possibilidades sensoriais representadas pelos mais de 100 estilos de cerveja aos quais hoje se tem considerável acesso em várias cidades brasileiras.
Por outro lado, a cerveja destaca-se cada vez mais como bebida gastronômica em razão da carbonatação que empresta adstringência a qualquer harmonização, além dos sabores tostados, defumados e caramelizados que são únicos entre as bebidas fermentadas. Em função dessas novas possibilidades, iniciou-se um processo de revitalização da cerveja como companhia de pratos sofisticados nos melhores restaurante do mundo, sem que ela perca o aspecto democrático e informal que a popularizou em praticamente todo lugar.
Sobre a harmonização entre cervejas e comida, é crucial o conhecimento prévio tanto do perfil organoléptico da cerveja quanto dos ingredientes e do modo de preparo do prato com o qual se quer harmonizá-la. De outra forma, pode-se correr riscos e aventurar-se por combinações inexploradas e às cegas, o que pode no mínimo ser instrutivo, como também pode ser tremendamente prazeroso.
No universo teórico da harmonização, é mais fácil combinar pratos e cervejas por semelhança, por exemplo, um prato delicado com cervejas de sabores discretos e equilibrados ou pratos gordurosos e condimentados com cervejas potentes e picantes; por outro lado é possível harmonizar também por contraste ou por corte. Neste caso, uma cerveja amarga e alcoólica pode “cortar” os sabores excessivos de uma sobremesa com massa amanteigada e recheio muito doce. Naquele, pode-se pensar em opostos que se somam ao invés de competirem como é o caso de uma Dry Stout harmonizada com sashimi. Entretanto, essas relações, embora elogiadas por muitos, podem não agradar há outros tantos, todavia algumas informações gerais podem ser consideradas na construção de harmonizações entre comida e cerveja:
1.      O amargo do lúpulo limpa o paladar de pratos muito gordurosos ou potentes.
2.      As notas torradas do malte podem remeter a aromas e sabores caramelizados, achocolatados, de café, de toffee ou até de defuma, o que pode harmonizar com sobremesas mais potentes baseadas em chocolate, café, caramelo, etc., ou mesmo assados caramelizados.
3.      A levedura pode emprestar à cerveja aromas frutados e condimentados, o que pode combinar com sobremesas frutadas ou mesmo com pratos mais complexos e potentes.
4.      A água ajuda no delineamento do corpo e da densidade de uma cerveja, por isso pode auxiliá-la a ser leve ou encorpada.
5.      Adjuntos cervejeiros como especiarias, frutas, ervas, etc., podem conferir as características mais variadas às cervejas, o que amplia o espectro de possibilidades de harmonização delas até com as comidas mais exóticas e inusitadas.
6.      Cervejas da família Ale são normalmente mais potentes, condimentadas e alcoólicas. Já as da família Lager são conhecidas no geral pelo seu perfil leve e refrescante. As da família Lambic são famosas pelo seu sabor intenso, acético e, por vezes, amadeirado.
7.      A bebida é a acompanhante do prato, e não o contrário, cuidado para não sobrepujá-lo com uma cerveja que concorra com ele a ponto de boicotá-lo.
8.      Cervejas oriundas de uma determinada região de um país costumam combinar bem com os pratos típicos da gastronomia local.
9.      Comidas muito picantes ou gordurosas harmonizam com cervejas amargas e bem carbonatadas.
10.  Cervejas escuras harmonizam geralmente bem com assados, churrasco, molhos oriundos de reduções lentas e sobremesas a base de chocolate.
11.  Cervejas ácidas combinam bem com sobremesas cítricas ou “cortam” adequadamente comidas muito gordurosas.
12.  Cervejas de sabor delicado e leve harmonizam com saladas, peixe e frango grelhados.
13.  Com frituras em geral, cervejas claras, bem carbonatadas e amargas são combinações consagradas.

Para além disso, é fundamental compreender que a cerveja é farta em possibilidades de combinação quando pensamos o amplo espectro de aromas e sabores possíveis nos diversos estilos de cerveja, como são os casos dos fortes aromas e sabores defumados de uma Rauchbier combinados com um assado de porco bem condimentado e, talvez, caramelizado; ou a delicadeza refrescante de uma Witbier harmonizada com uma sobremesa cítrica; ou mesmo harmonizações clássicas como cervejas muito lupuladas com pratos condimentados; ou cervejas claras de trigo com pratos grelhados, frutos do mar, peixes, saladas e queijos delicados; ou uma Lambic Fruit como acompanhamento para sobremesas a base de frutas in natura ou em calda; ou ainda uma sobremesa de chocolate amargo com alguma Stout potente e aromática.
            Contudo, o importante é experimentar combinações além das consagradas ou tradicionais quando se quer novas experiências e, depois, voltar para o porto seguro do conhecido e já experimentado, ou seja, apesar das muitas regras e de livros dedicados ao tema da harmonização de comida e bebida, deve-se buscar combinações que agradem ao seu paladar. Por isso, textos como esse devem ser tomados menos como referencial e mais como ponto de partida para uma nova ou melhorada relação entre esses dois universos, complementares e tão importantes para o desenvolvimento intelectual, cultural e social do ser humano como são a comida e a cerveja.

Para ouvir harmonizado com uma bela cerveja escura, por exemplo, a excepcional Benedith Gaulesa do amigo e mestre-cervejeiro Roni Godinho, uma playlist focada em Black Music, espero que gostem.








Saudações cervejeiras, musicais e gastronômicas,



Estéfani Martins
Professor, sócio do restaurante Santo Malte, membro da Confraria de Cultura Cervejeira do Cerrado (CCCC) e membro da ACervA Mineira. 


Bacalhau assado e cuscuz marroquino


Só não como mais bacalhau porque aqui os preços não costumam ser convidativos, principalmente quando se trata do "lombo", aquela parte alta e deliciosa do peixe, perfeita para assar ou grelhar em grandes pedaços e ir saboreando as lascas beeem devagar...
Mas quando vou a SP não deixo de trazer um pouco pra casa, o último que chegou por aqui virou este prato da foto.
Também acho que o bacalhau é um ingrediente que merece reinar no prato, nada de temperos ou acompanhamentos que o diminuam ou conflitam com seu sabor.
Por isso nesta receita ele foi assado com muito azeite, dentes de alho e alguns ramos de ervas frescas, em forno bem baixo, acompanhado por um cuscuz marroquino levemente agridoce.

Lembre-se que é importante usar o cuscuz específico para essa receita, que normalmente é encontrado nos empórios gourmet ou supermercados com um bom mix de importados. Não desanime, uma caixinha de 500g custa menos de R$ 10,00 e rende umas dez porções, além de ser uma receita bem simples e rápida. Você pode também experimentar como acompanhamento o arroz branco ou um purê cremoso de batatas ou abóboras.

Apesar da aparência sofisticada é um prato fácil de fazer, confere aí!

Bacalhau
Ingredientes:
(4 pessoas)
- 800g de lombo bacalhau dessalgado
- 8 tomates tomates cereja maduros
- 2 dentes de alho
- ramos de ervas frescas (usei tomilho, sálvia e salsinha)
- pimenta do reino a gosto

Preparo:
Em um refratário coloque o bacalhau dessalgado, tomates cereja inteiros, dentes de alho inteiros descascados e alguns ramos de ervas. Acrescente bastante azeite, o suficiente para chegar pelo menos a metade da altura do bacalhau e cobrir todos os outros ingredientes. A dica é usar um refratário pequeno para que os ingredientes ocupem todo o espaço, assim você usa menos azeite.
Cubra o recipiente com alumínio e leve ao forno na menor temperatura possível (usei 150º) por 90 minutos.


Cuscuz
Ingredientes:
(4 pessoas)
- 200g de cuscuz marroquino
- 1 cenoura ralada
- 1 cebola fatiada bem fina
- 1/3 de xícara (chá) de uvas passas (damasco seco é outra opção)
- 1 tomate picado em cubinhos
- azeite a gosto
- sal a gosto

Preparo:
Siga as instruções da embalagem do cuscuz para o preparo, normalmente é só acrescentar no cuscuz a mesma medida de água quente, tampar, esperar cozinhar uns 5 minutinhos e mexer para soltar.  Mais fácil que miojo...
Depois refogue em uma frigideira com um fio de azeite a cebola até começar a dourar, acrescente os outros ingredientes e refogue por mais uns 5 minutos, aí é só misturar com o cuscuz e está pronto.

Para montar é só colocar no prato uma porção de cuscuz e sobre ela o bacalhau, decore com os tomatinhos assados e ervas frescas e pronto, bom apetite! 



Vou sugerir Ayo cantando Black Spoon em bela versão acústica. Simples e elegante.

Promoção: Sorteio Calendário Sabor Sonoro 2013



Em 2011 tive uma grande vontade de fazer um calendário para o Sabor, a idéia era simples: doze meses em lâminas que trariam receitas variadas dentro de uma caixinha de CD, para brincar com a proposta musical do blog.
Quase dois anos se passaram da idéia à concepção, nasceu como foi imaginado e ainda ganhou mais duas páginas com tabelas de sazonalidades dos principais horti-frutis. Confesso que fiquei bem orgulhoso com o resultado!
Não posso deixar de agradecer a Renata, minha designer favorita e companheira de trabalho pela bela direção de arte. :)



Quer ganhar um também? É só deixar seu comentário com email que vamos sortear 10 calendários na próxima sexta, dia 15 de março. Boa sorte! 


AC/DC Beer - ‘The Beer For The Real Rockers’


Não sei vocês, mas quando o assunto é música, eu curto um bom rock'n'roll: Rolling Stones, Kiss, AC/DC. Essas bandas estão sempre além de seu som e inovam lançando produtos vinculados e goodies para os fãs. Ano passado, o Rolling Stones lançou um whisky comemorativo aos seus 50 anos e o AC/DC, vinhos que levam nomes de suas músicas como Back in Black Shiraz, Hells Bells Sauvignon Blanc, Thunderstruck Chardonnay.


Agora, a banda quer apostar na cerveja. Acaba de surgir no mercado a AC/DC Beer, sua marca oficial de cerveja, com o slogan ‘The Beer For The Real Rockers’ ("A cerveja para verdadeiros roqueiros", em tradução livre). Por enquanto, a premium lager alemã está disponível apenas na Alemanha, em 2 diferentes tamanhos – latinha de 568ml e barril de 5 litros. Legal, não? Será que vamos ter a chance de recebê-las por aqui? De qualquer maneira, a ideia é muito boa e vale um brinde! "For Those About to Rock We Salute You!"
 
Pra entrar no clima, Highway to Hell:



Via.



Carol T. Moré
Publicitária, trabalha com planejamento e conteúdo. Apaixonada por cores e internet, gosta de boas referências, tendências e tem olhos para o que é legal, inovador e original. É no Follow the Colours que você encontra algumas de suas inspirações.

A cozinha da Alice # 29 - 1+1 fazem 2!


Acho que já falei infinitas vezes, mas vou repetir a história: tenho gêmeos, Caio e Theo. Fizeram 2 aninhos esses dias. São os bebês mais lindos do mundo, hoje...rs... Quando eles nasceram tinham o tamanho de um sapato 37. Eram minúsculos prematuros. E mesmo nesse pouco espaço físico, lutaram como bravos guerreiros. Eu, enquanto os via dormir, chorava de alegria e medo. Ficava fazendo carinho revesado por uma janela da incubadora, eram 15 minutos pro Cacá, 15 pro Teté.  Depois de um mês vieram pra casa. Comeram, dormiram, sorriam com o canto da boca enquanto sonhavam. Cresceram. Crescemos. Viramos uma inteira e enorme família. Daquelas que a gente sonha desde muito tempo e nem sabe se um dia vai acontecer, com pipa, gato, cachorro e hortinha. Agora a gente não sabe o que é silêncio, graças a Deus. A casa está sempre cheia. Tem os primos, os tios, a vó Nane, Seu Beto, Maulício, vóvéti, o tio Macéu e tia Calóu. 
A casa tem cheiro de bolo e biscoito como eu sempre sonhei. Eles esparramam giz e comida pela casa toda.
A felicidade, os gritos, os tombos entraram como enxurrada na vida da gente, sem nenhuma delicadeza. Todo aniversário eu comemoro como se o Brasil tivesse ganhado a Copa. Comemoramos todos.




Agora vamos falar de comidinhas. Gosto de fazer a maior parte dos pratinhos. Porque me divirto, e porque já não sou mais tão fã de bolo com tanto chantilly e salgadinho frito. Mas também acho que a gente não tem que ficar se matando na cozinha enquanto deveria estar brincando. Então se você também se diverte, aqui estão algumas dicas.

Flores de milho e tomatinho cereja

Cortei o milho em rodelas de mais ou menos dois dedos de largura, coloquei pra cozinhar com açafrão. Quando frios, coloquei o espeto e um tomatinho cortado ao meio pra fazer o miolo.

Comida de coelho: vaso de mini cenouras e manjericão

Os vasinhos tinham dentro copos descartáveis com maionese. Passei as verduras na frigideira bem quente com um pouco de sal e manteiga, esperei esfriar e montei o vasinho. Usei brócolis e mini cenouras.
Essa ideia veio do Pinterest


Pão com ervas e tomate, assados na xícara de barro
Pão com ervas

Ingredientes

- 1 kg de farinha peneirada
- 1 saquinho fermento biológico seco
- 3 colheres (sopa) de ervas secas
- 1 colher (chá) de sal
- 1 colher (sopa) de azeite
- 1 copo (200 ml) água morna, outros 2 ou 3 para acrescentar depois

Preparo

Coloque a farinha peneirada em uma vasilha grande ou em uma mesa limpa. Coloque o fermento em 1 copo de água morna e deixe descansar por 5 minutos. Faça um buraco no centro da montanha de farinha e despeje a água com fermento e o azeite, e vá misturando devagar e sovando até que a água seja absorvida. Coloque os outros ingredientes, adicionando água aos poucos e sovando, até que fique uma massa bem homogênea. O ponto é um pouco mole, a massa fica grudando nas mãos. Cubra com um pano e deixe crescer por 30 minutos dentro do forno. Em seguida coloque a massa em um vaso de cerâmica, ou mesmo em uma assadeira comum, coloque tomates ou azeitonas por cima e asse a 220° até dourar, aproximadamente 30 minutos. 

Espetos de azeitona preta, queijo e pepino agridoce
 Pepino agridoce

Ingredientes

- 1 pepino japonês grande
- 2 colheres (sopa) de açúcar
- 4 colheres (sopa) de vinagre
- 1 colher (sopa) rasa de gergelim preto
- 1 colher (café) de sal
- água gelada

Preparo

No dia anterior, passe o pepino em um fatiador, coloque-os dentro de uma vasilha com todos os ingredientes, tampe e leve à geladeira. Na hora de servir escorra e monte os espetos. Pode também ser servido com pão e um fio de óleo de gergelim.



Floresta de cogumelos
 Jardim de cogumelos foram feitos com tomatinho e palmito. Usei a casca da melancia como base e finquei com palito de dente uma rodelinha de palmito e um tomatinho cortado ao meio. A outra metade dos tomatinhos, aquelas que tem a marca do galho, deixei para usar nos espetos de milho, e a parte sem marcas usei para os cogumelos. Joguei folhas de manjericão no final. Essa ideia também veio do Pinterest.

Árvore de comer
Essa receita de amanteigados é uma maravilha maravilhosa que virou obrigatória, em Natal, Carnaval, aniversários, etc. Foi um presente da Tia Patixia. Você pode acrescentar granola, sementes de quinoa, erva doce e o que mais te parecer gostoso! Pode ser preparado dias antes e conservado em embalagem hermeticamente fechada. Dura dois meses, se sobrar ( o que duvido).
Fiz em formato de folhas, cortei pequenos buracos para passar o fio e pendurar na árvore. O Luca quase não deixou pra ninguém.

Biscoitos amanteigados
Rende aproximadamente 50 biscoitos

Ingredientes

- 2 ovos
- 300 g manteiga
- 1 xícara de açúcar
- 5 xícaras de farinha

Preparo

Misture tudo até formar uma massa homogênea. Estique com o rolo e corte com cortador de biscoitos, ou quadradinhos, usando uma faca mesmo. Asse em forno médio, por 20 minutos. Elas são branquinhas mesmo quando assadas, então fique de olho pra não deixar passar do ponto. Eu percebo o ponto quando as bordas de baixo começam a dourar. Nessas eu acrescentei confete verde e essência de amarula.

Bolo de Nutella, damascos e framboesas
Para esse bolo usei a receita do Panelinha. Umedeci a massa depois de assada com licor de gianduia, recheei com Nutella e damascos cortados em pedaços. Achei a massa um pouco seca, mas o sabor estava uma delícia.  As folhas de chocolate foram feitas usando folhas de verdade. Coloquei chocolate (já quase frio) na parte de baixo das folhas e as coloquei na geladeira por algumas horas, depois é só desgrudar da folha e colocar por cima do bolo.


Vasinhos de brigadeiro com manjericão e doce de leite 
Esse acho que nem precisa de receita né, tradicional brigadeiro (delicioso!!! Feito pela querida Tia Lulu) servido por cima do doce de leite.

Suspiro com doce de leite e banana, bolachas com geleia de hortelã e pimenta rosa
Descobri sem querer essa mistura muito muito viciante de banana com doce de leite e suspiro de morango. A única coisa é que precisa ser feito na hora porque a banana solta água e tudo começa a desmoronar. Outra coisa importante é fazer o dobro do que você tinha previsto, é bom demais pra comer pouco.
Corte uma rodela de banana, coloque uma colheradinha de doce de leite e o suspiro por cima. Simples assim!

Maça com bicho gostoso e chocolate branco

Essa também é uma forma simples de incentivar as crianças a gostar de frutas. Com chocolate por cima, tudo fica irresistível.


"Não sei quanto o mundo é bão
Mas ele está melhor
Desde que você chegou
E explicou
O mundo pra mim"

Nando Reis - Espatódea