Santiago para comer - parte 2


San Cristobal
O Cerro San Cristobal, no bairro Bellavista, foi nosso destino na manhã de domingo. Depois de subir de funicular, uma vista sensacional de Santiago espera por nós. Outra opção é parar no zoológico, que fica no meio da morro, fica a dica se você vai com crianças.

Mercado Central
Mercado Central
O Mercado é outro passeio indispensável para os gulosos, a grande atração é a variedade de peixes e frutos do mar.
Aproveite e, se conseguir uma mesa do Donde Augusto, peça a centolla (um caranguejo maior que um prato grande) ou um jardim do mar (prato com uma incontável variedade de frutos do mar) e curta o movimento.

A variedade de peixes e frutos do mar é impressionante



Feira de orgânicos da Plaza Perú
Delícias de Las Condes
Las condes é um dos bairros mais sofisticados da capital, lá você vai encontrar muitas lojas, hotéis e restaurantes bacanas. 
Nosso primeiro destino foi a feira de orgânicos da Plaza Perú, são apenas algumas bancas, mas com uma variedade interessante de produtos para quem se preocupa com a procedência dos ingredientes e materias do que compra.


Coquinaria
Coquinaria: além das guloseimas variadas, artigos gourmet para agradar os cozinheiros
Coquinaria
Logo em frente à praça conhecemos a Coquinaria, um empório-restaurante-cafeteria que recomendo muito.
Pedimos uma entrada deliciosa com pequenas porções de ceviche, ostras, caranguejo... Carol adorou esse sanduíche lindo de salmão defumado acompanhado de fritas.
Como se não bastasse, de sobremesa você pode provar os sorvetes, chocolates, cafés e ainda sair com uma sacola cheia de produtos gourmet pra trazer de lembrança e cozinhar em casa.

Pizzaria Tiramissu
Pizzaria Tiramissu
Se cansar dos turistas, peixes, frutos do mar e quiser comer uma boa pizza o destino é a Tiramissu, pizzaria da vizinhança de Las condes. E se o seu apetite for tão bom quanto o nosso peça de antepasto esse delicioso prato com salmão defumado, burrata, rúcula e tomates secos.

Como Água para Chocolate.
Como água para chocolate
Não sei se por ter ouvido falar tanto dele fiquei um pouco decepcionado com a comida e o atendimento deste que é o Restaurante destino de grande parte dos brasileiros, me deu a impressão que tudo é feito em escala industrial. O ambiente é lúdico e tem toda a temática do filme e tal, mas minha opinião pessoal é que Santiago tem dezenas de opções melhores.

Pub Dublin
Pub Dublin
Fomos afogar nossas mágoas do restaurante citado acima em um pub bem próximo, não posso falar sobre a comida porque havíamos acabado de jantar e não provamos nada, mas a trilha sonora era de primeira e havia boas opções de cervejas, o que para nós era mais que suficiente no momento.

La Mar Cebicheria
La Mar
Nosso último destino gastronômico foi outro empreendimento do grande Gaston, o La Mar tem o cardápio mais acessível e menos pretensioso que o irmão mais velho, o que não faz dele menos recomendável e delicioso. O La Mar já tem uma filial em SP inclusive.
Como o nome diz, o cardápio é dominado por peixes e frutos do mar em receitas típicamente Peruanas.
Lá degustamos nosso último Ceviche e tomamos nosso último Pisco. Não tinha como ser melhor!

Santiago para comer - parte 1


Por algum motivo que não sei explicar deixei este post guardado por alguns meses, mas hoje e na próxima semana publico algumas dicas sobre nossa última viagem para a bela capital chilena. Espero que gostem ;)

Em 2003 fui a Santiago pela primeira vez, era também minha primeira viagem para o exterior.
Nesta visita os tios da Carol moravam na cidade, e fiquei muito impressionado com a arquitetura moderna, as largas calçadas e as ruas completamente limpas.
Tinha aquela visão muito equivocada de que Santiago era meio parecido com aquelas cenas de filmes com galinhas dentro de ônibus velhos, quanta ignorância…
Como toda cidade, existem áreas mais degradadas e outras muitos bacanas, mas no geral a cidade é linda.
A primeira viagem foi totalmente turística, como na minha opinião toda visita a um novo destino deve ser, esta foi diferente: descanso e comida eram as duas prioridades.
Então não usem este post como um guia da cidade, não fui a muitos pontos turísticos obrigatórios, mas acho temos algumas dicas de onde encontrar um belo prato em Santiago.


Shopping, restaurantes e a melhor refeição da viagem.


Parque Arauco e Vendetta
Como chegamos perto da hora do almoço, não planejamos nenhum passeio mais longo, aproveitamos para nos acomodar e depois ir até o Parque Arauco, que fica bem perto do hotel, para comer algo e trocar algum dinheiro.
O Arauco é o maior shopping de Santiago, tem lojas de grandes marcas e um arquitetura bacana, com muitos espaços abertos.
Procurando algo pra comer paramos em um restaurante chamado Vendetta, confesso que não esperava muita coisa, mas fomos surpreendidos por dois pratos muito saborosos. Especialmente o da Carol, um nhoque no molho branco, salmão defumado, queijo e até caviar.. chique demais pra quem queria fazer só um lanchinho.
Antes de voltar para o hotel, um pulinho na Mundo del Vino para abastecer o frigobar.


Astrid y Gaston: a melhor refeição
A noite, nosso primeiro destino planejado: o restaurante Astrid y Gastón.
A história desse casal-restaurante é bem bacana, ela é alemã e ele peruano, se conheceram estudando gastronomia em Paris inauguraram sua primeira casa em Lima em 1994. Hoje, com restaurantes espalhados por toda a américa latina, figuram entre os 50 melhores restaurantes do mundo pela lista da Restaurant Magazine, fazendo uma comida que mistura a tradição peruana com as técnicas francesas.


Mas falando do que interessa, se fosse recomendar um único restaurante em Santiago, recomendaria este. A casa é bacana mas sem luxos, o atendimento é excelente mas sem formalidades.
Optamos pelo menu degustação, meio preocupados com a quantidade de pratos, mas ainda bem que fizemos esta escolha: uma entrada com ceviches, camarão empanado e outras guloseimas fantásticas abre uma sequência de pratos deliciosos.
Depois 3 pratos quentes: salmão acompanhado com risoto, uma massa com camarões e depois um filé dos deuses.
O Raul, o atencioso garçom que nos atendeu, percebendo a minha curiosidade pela cozinha, me perguntou se queria conhecê-la, aceitei o convite sem pensar!


E pra fechar, essa sobremesa linda: sorvete, doce de leite, arroz doce e uns biscoitinhos que lembram os de chuva. Simples e deliciosa.


Duas horas depois, saímos felizes, super satisfeitos e com uma dúvida danada se conseguiríamos uma experiência gastronômica superior na cidade. Com certeza uma das melhores refeições que já fizemos.

Segundo dia: um pouco de turismo, vinho e (claro) comida.



Los Dominicos: artesanatos e lembranças típicas
O segundo dia da viagem começou com um passeio bem turístico e muito bacana pra quem quer comprar artesanato e outras lembranças típicas: o Pueblito Los Dominicos.
Um antigo mosteiro que hoje abriga dezenas de lojas que vendem blusas, jóias, esculturas e todo tipo de trabalho manual.


Liguria: clima de boteco
No almoço fomos conhecer o Liguria, um bar tradicional de Santiago. A casa estava lotada e dá pra perceber que muitos turistas (sentamos ao lado de um casal de brasileiros) se misturam à turma local.
Com clima bem boteco, tem um cardápio extenso e uma carta de vinhos bem completa. A Carol foi de merluza e eu de camarão. Gostosos, despretensiosos mas nada de especial. Penso que na minha próxima visita trocaria meu prato por uns aperitivos e ficaria mais tempo curtindo um vinho e o local.


Concha y Toro: passeio obrigatório


A tarde foi a vez de visitar a Concha y Toro, uma das mais tradicionais vinícolas e com certeza a mais conhecida do Chile.
Passeio quase obrigatório, fica a menos de 30 km de Santiago e já vale a pena pela beleza do local: jardins bem cuidados e a linda mansão que foi o refúgio de verão da família de Don Melchior, fundador da marca, parecem cenários de filme.


O passeio continua com a visita a algumas adegas, com direito a momento "suspense" para conhecer a lenda do Casillero del Diablo. Depois de uma degustação, lojinha para comprar lembranças da marca e voltamos para Santiago.
Gostamos muito do passeio é acho que vale a pena para quem é curioso sobre o assunto, o que era o nosso caso, mas se você é apaixonado ou grande conhecedor dos vinhos minha dica é que se informe melhor sobre passeios mais personalizados na própria Concha y Toro ou em outras vinícolas, são várias opções e devem ser mais interessantes para quem quer ir mais fundo ao assunto.



Aqui esta Coco: boa comida e uma decoração sensacional


A noite fomos conhecer outro restaurante muito recomendado: Aqui esta Coco
O espaço já impressiona na fachada, mas o melhor está lá dentro: uma decoração quase cenográfica, que impressiona pela originalidade e bom gosto.
No primeiro salão você dá de cara com essa escultura de baleia que fica sobre o bar. O salão principal é bem espaçoso e tem um pé direito enorme.
Nos levaram para o salão "La Cava", como o nome já diz é decorado com elementos do universo dos vinhos e fica no subsolo do restaurante. Lindo e aconchegante.


Para entrada, fomos de "Carpaccio Austral", um ceviche de salmão defumado, abacate, coentro e limão, vou tentar isso em casa o mais rápido possível!
Para jantar, fui de "100% Chileno", um prato frutos do mar variados e Reineta, um peixe comum nos cardápios chilenos.
A Carol pediu cordeiro com batatas e alecrim, mas quando chegou um prato com um corte estilo Fred Flintstone (foto) ela fez uma cara que gostaria de trocar de prato comigo. Fiz um ótimo negócio: o cordeiro estava divino: macio, tenro e no ponto exato.

E para sobremesa, dividimos um "Crocante de Chirimoya", esta tortinha da foto aí em baixo. Basicamente uma mistura de chantilly com Chirimoya (fruta típica dos Andes que lembra bastante a fruta do conde), calda de maracujá e o crocante batata doce palha. Delícia!

Veredicto: só pelo ambiente vale a visita, mas a comida não fica atrás, os pratos são preparados com cuidado e bem servidos. Só não tirou a primeira colocação do Astrid y Gaston ;)

No próximo post eu conto a resto da viagem ;)

Pão Fougasse


Meu amor pelos pães já é conhecido, e ultimamente minha rotina de fim de semana é sempre testar uma receita nova.
E depois que minha irmã me deu de presente o Livro Panificação e Viennoiserie, do Michel Suas, um novo mundo de processos, receitas e possibilidades se abriu pra mim. Foi praticamente aquela onda do Matrix, de enxergar outra realidade por traz da panificação.
A abordagem do livro é muito profissional e recomendo de verdade para quem gosta do assunto.

E aí você me pergunta porque não publico essas receitas com mais frequência.
A verdade é que por mais que eu pratique ainda não acho que tudo fica 100%, mas o que me preocupa de fato é que pequenas mudanças da qualidade dos produtos, quantidade, temperatura e equipamentos podem fazer uma grande diferença no resultado final, o que não acontece em uma receita de risoto ou peixe grelhado, onde pequenos ajustes e mudanças são aceitáveis e até positivas.

Resumindo: estou morrendo de medo de compartilhar essas receitas e elas não funcionarem tão bem assim e vocês ficarem bravos comigo..rs
Mas como gostaria muito de ver todo mundo com a mão na massa, literalmente, vou dividir com vocês as receitas mais bem sucedidas.

Mas não desanime, o processo é bem artesanal e não é tão simples como fazer um miojo, mas te garanto que o prazer de comer e compartilhar um pão que você mesmo fez é fantástico. O importante é seguir alguns passos que valem para quase todas as receitas de pão:

Eu tenho meu próprio levain, um fermento natural que criei do zero e que trato como um pequeno bichinho. Com ele você consegue fazer pães mais saborosos, como maior durabilidade e com casca mais crocante. Se você se interessa pelo assunto há muita informação sobre o tema pela web, vou indicar duas referências que gosto muito.
Como fazer Levain - do Blog Think Food
1º post de uma série para fazer levain - blog do Luiz Américo
Na falta do fermento natural uso fermento biológico seco, então não deixe de fazer uma receita por não ter o seu próprio fermento, ok?

Fazer uma pré-massa (poolish, starter, biga, levedura, etc) também é muito importante para aumentar a qualidade e a durabilidade do pão. E apesar dos nomes estranhos e de pequenas mudanças no processo, nada mais é do que amassar na véspera um pouco de água, farinha e fermento.

Não tenha preguiça de sovar muito bem a massa, esse processo é o grande responsável pelo desenvolvimento do glúten. Um bom indicador que a massa está no ponto é fazer o teste do "véu de glúten", esticando um pedaço para ver se ela está bem elástica, conforme foto abaixo.

Véu de Glúten - Foto Diego Barreto - thinkfood.com.br

No mais, estou a disposição para tirar qualquer dúvida sobre o assunto, espero que vocês se animem nessa divertida tarefa. Vamos ao que interessa!

Fougassse
Pão muito popular na região da Provença, ele é um parente da Focaccia Italiana. Também tem uma espessura fina e pode ter outros ingredientes na sua mistura como calabresa, azeitona, nozes e ervas.
Mas o que me chamou a atenção mesmo foi esse belo formato decorativo!

Primeira etapa - levedura
Ingredientes:
- 130g farinha
- 130ml água
- 1g de fermento biológico seco instantâneo (ou 80g de levain)

Misturar todos os ingredientes até que fiquem bem incorporados.
Deixar fermentar por 12 a 16 horas em temperatura ambiente.
Aqui o calor está bruto então 8 horas foram suficientes.

Segunda etapa
Ingredientes:
- toda a levedura
- 700g de farinha
- 400ml de água
- 5g de fermento biológico seco instantâneo
- 20g se sal
- 35ml de azeite
- 10g de alecrim ou mix de ervas (não usei na massa, passei com azeite sobre o pão antes de assar)

Manualmente ou em uma batedeira sove a massa até conseguir o "ponto de véu". Cubra a massa com um pano de prato ou filme plástico e deixe fermentar por uma hora ou até dobrar de tamanho.

Agora com a massa já crescida, polvilhe um pouco de farinha em uma superfície lisa e limpa, divida sua massa em 4 ou 6 pedaços (dependendo do tamanho das suas formas) e estique com um rolo, até conseguir uma espessura de mais ou menos 1,5 cm.
Para mostrar como fazer as "folhas" acho que esse vídeo pode explicar melhor do que qualquer descrição.



Depois é só deixar fermentar por mais 40 minutos, pincelar a massa com o azeite de ervas e assar em forno preaquecido a 220º por 35 minutos ou até começar a dourar.

Pronto, agora é só abrir uma boa garrafa de vinho, colocar Trevor Hall na vitrola e compartilhar esse pão com gente que você gosta. ;)

Está no ar: loja do Sabor Sonoro!



Sempre tive uma grande vontade em juntar o hobby da cozinha com a área que atuo. Na R&B, tem um monte de gente criativa e nunca saiu da minha cabeça a possibilidade de aproveitar isso para o blog.

Até que um dia - perdoe-me o clichê - a luz acendeu: por que não criar produtos para quem gosta de cozinha como eu? E assim nasceu a loja do Sabor Sonoro.

Demorou a acontecer um pouco mais que o previsto, afinal, não poderia fazer algo com materiais e fornecedores que não mantivessem um padrão de qualidade. As estampas também não poderiam ser qualquer uma. Tinha que ter a nossa pegada.

O resultado está aí: 15 produtos de diferentes modelos e desenhos entre canecas, camisetas, aventais, bags... Ainda é pouco, mas em breve o mix vai crescer bastante (só depende de vocês, rs).

O estoque ainda é bem pequeno, então vai lá e não perde tempo ok?

Quero aproveitar para agradecer a turma que me ajudou nesse primeira fase tão importante, pelas ideias, paciência e tempo dedicado: Wilson Jr., Renata, Diogo, Alexandre e Henrique. Valeu demais!


Risoto por um Milanês de verdade



Tenho uma grande admiração pela Itália e por toda sua história, o que não é uma surpresa vindo de quem adora comida e tem Gussoni na assinatura, mas sou brasileiro e adoro toda essa mistura que faz nossa cultura tão rica e variada. Claro que isso também vale para a culinária.

Diferente de uma certa rigidez característica da Bota: quem conhece a Itália ou um italiano legítimo sabe do que estou falando: normalmente são avessos a grandes novidades, então não arrisque colocar orégano onde a receita de trezentos anos manda colocar manjericão. Outra característica marcante é o gosto apurado e um padrão de exigência altíssimo com a qualidade dos ingredientes, mesmo que seja para preparar um "simples" molho de tomate. 

Mas é só parar pra pensar um pouco pra perceber que essa não é uma característica exclusivamente italiana, mas de muitas outras culturas antigas que são orgulhosas (com razão) da suas raízes. Pensando por esse ângulo eles estão cobertos de razão: é fundamental que essa história seja valorizada, respeitada e transmitida para que ela continue viva.

Dia desses tive o privilégio de receber em casa o a Patrícia e o Massimo, a Alice e o Vinício; todo mundo aí tem, pelo menos, um sobrenome italiano. rs
A principal desculpa para o encontro era comer um risoto feito por um milanês legítimo. Não é todo dia que a gente tem a oportunidade de ver um cara que nasceu na terra do risoto prepará-lo ao vivo.

Para acompanhar fiz uma costela no molho de vinho e para fechar com chave de ouro um delicioso ganache preparado pela Alice.
E assim tivemos uma daquelas noites raras: momentos, companhias e comidas para guardar na memória por muuuito tempo! 


Com a palavra, meu amigo Massimo Franceschetti:

"Quero esclarecer que esta receita é somente pratica e leva a um resultado gostoso, mas não é a legítima e aliás está bem longe dela, sendo que têm muitos detalhes aqui não respeitados em relação à receita tradicional. Por exemplo, para cozinhar o risotto, antes de mais nada é preciso utilizar só caldo de carne em lugar de água. Além disso, a receita tradicional do ‘risotto alla milanese’ prevé também uso de medula óssea de boi, hoje em dia raro; diversamente, não se pode falar de ‘risotto alla milanese’, mas ‘risotto allo zafferano’ só. Ainda, têm cozinheiros que só utilizam vinho tinto nem querendo saber de branco, outros que atuam de jeito oposto. E mais, cozinheiros que acrescentam vinho logo depois da fase de tostadura, para fazer com que o tom fique desde o começo, e outros cozinheiros que acreditam que seja melhor colocar vinho só no final para não deixar que a mistura pegue demais seu sabor. O açafrão é, por si, outro tema de debate quanto ao uso no risotto: a tradição só prevê açafrão em estames ou pistilos, hoje em dia por causa do custo muito alto é raro o uso de açafrão que não seja em pó. E, além disso, têm cozinheiros que usam colocá-lo diretamente no caldo de carne, tanta é sua experiência em saber exatamente a quantidade que utilizarão! Enfim, só falei sobre alguns dos aspectos mais conhecidos das várias teorias de cozinhar o risotto, prato não simples e muito modificado ao longo do tempo, sendo que sua origem data de 1574."

Risoto
(6 porções)
- ½ cebola em cubinhos
- 600 g de arroz “Carnaroli”
- 1 envelope de Zafferano (açafrão)
- 150 g de funghi porcini (cogumelos porcini) secos
- 1 copo de vinho tinto
- Cerca de 2 litros de caldo de carne ou, alternativamente, 3 cubos de caldo de carne
- Azeite para fritar a cebola
- Sal a gosto

Modo de fazer:
Colocar a cebola no fundo de uma panela funda e jogar azeite extra virgem (olio extra vergine di oliva) de maneira que só unte o fundo da panela (a cebola não tem que ‘navegar’ nele). 
Dourar a cebola e, assim que isto é feito, acrescentar o arroz e cozinhá-lo por alguns minutos sem acrescentar água (esta é para ser colocada só após ter bem misturado arroz com cebola): trata-se da tostadura do arroz, etapa que serve para fazer com que o arroz absorva o azeite; deve-se ter cuidado em não queimar a mistura. 
Depois de dois ou, no máximo, três minutos de tostadura, colocar bastante água para cobrir a camada de arroz e misturar até conseguir que o arroz esteja bem diluído na água. 
Agora é possível acrescentar os cubos de caldo de carne, o açafrão e os cogumelos. De agora para frente, é só continuar misturando os ingredientes na panela e acrescentar água quando se percebe que o arroz está grudando no fundo. Esta fase toma um tempo de mais ou menos meia hora, durante o qual o arroz cresce (os grãos cozidos tornam-se bastante maiores em relação aos crus do começo) e dá para reparar que os cogumelos ficam cozidos também. 
Quanto ao acréscimo de vinho, em geral o cozinheiro o coloca dez minutos antes de desligar o gás (ou seja, quando o arroz está pronto), sendo que sua função é só a de dar um tom ao risotto. 


Costela ao molho de vinho
(6 porções)
- 1,8 kg de costela (se você comprar desossada pode reduzir a quantidade para +- 1,2 kg)
- 500 ml de vinho tinto seco
- 1 lata de tomates pelados
- ramos de alecrim
- ramos de tomilho
- 4 dentes de alho
- 1 cebola média
- sal a gosto 
- pimenta do reino a gosto

Legumes salteados
(6 porções)
- 300g de cenouras baby
- 300g de ervilhas (de preferência frescas, evite as de lata)
- um talo de alho poró
- azeite a gosto
- sal a gosto
- pimenta do reino a gosto

Preparo: 
Costela
Coloque todos os ingredientes em uma vasilha ou panela, misture bem e guarde na geladeira até a hora do preparo. Deixe pelo menos por uma hora, mas se quiser pode preparar na noite anterior.
Esquente uma frigideira, reserve toda a marinada, seque a carne com papel toalha e grelhe em fogo alto até os dois lados ficarem bem dourados.
Depois junte a carne e a marinada novamente em uma panela e deixe cozinhar em fogo baixo, acrescentando água se necessário.
Duas horas a 3 horas de cozimento normalmente são suficientes, mas pode variar de acordo com a qualidade da carne, então experimente durante o preparo para acertar o tempo ideal. A costela deve ficar bem macia, quase desfiando.

Ervilhas e cenouras salteadas
Cozinhe no vapor as ervilhas e o alho poró picado por 2 minutos; as cenouras por 5 minutos. Use a técnica de "branquear", colocando os ingredientes para esfriar em água gelada. Escorra e reseve.
Na hora de servir, aqueça uma frigideira com um fio de azeite e salteie por 1 minuto.


Ganache com toque de pimenta

Ingredientes:

- 500 ml creme de leite freco batido
- 250g chocolate derretido
- gotinhas de molho de pimenta a gosto
- raspas de chocolate para decorar


Preparo:
Derreta o chocolate em banho maria. Reserve.
Bata o creme de leite freco até ficar em ponto de chantily e misture os dois. Coloque as gotinhas de pimenta. Leva à geladeira ate na hora de servir.


E para acompanhar uma bela canção italiana indicada pela minha irmãzinha.

A cozinha da Alice #24 - Biscoito de granola



Desde quando pensei pela primeira vez em ser mãe, a comida já estava misturada nas cenas do mundo fantástico de Alice na minha cabeça. Queria ser daquelas mães que fazem bolo e biscoito pra casa toda ficar com cheiro de lar, e quando eles chegassem em casa iam se lambrecar inteiros de cobertura de chocolate. 
O que, graças a Deus, já acontece com frequência.  



Outra coisa que sempre sonhei em fazer, mas pela idade dos meus pequenos ainda não foi possível, é levá-los para a cozinha. Claro que a parte do depois e da faxina,não faz parte do sonho. Mas até a guerra de farinha tá incluída. Sem querer fazer propaganda de sabão em pó... pra mim, criança feliz é criança toda sujinha!
Então vamos à pratica: essa é uma dica para fazer para seus filhos caso eles já tenham mais de 3 anos, convide-os para participar da festa! Eles podem ajudar a separar os ingredientes, amassar a massa e até mesmo inventar formatos para seus próprios biscoitos!
A receita é muito simples e veio da minha vizinha, que nas horas vagas também é ótima fazedora de macarrão! Eu só mudei a receita um pouquinho, coloquei menos açúcar e adicionei granola, que faz muito bem à saúde (e é praticamente impossível fazer com que eles comam de livre e espontânea vontade!).

Ingredientes

- 1/2 k de farinha de trigo
- 200 gr de açúcar (coloquei 180)
- 1 xícara (chá) de leite
- 2 colheres (sopa) bem cheias, de manteiga
- 1 colher (café) de sal
- 2 colheres (café) de bicarbonato
- 2 colheres (sopa) granola (opcional)

Preparo

Quem tem uma super batedeira pode colocar todos os ingredientes e em 2 minutinhos ela estará pronta. Se não, misture tudo com a mão até ficar uma massa macia e que não gruda nas mãos.
Abrir a massa bem fina, cortar com cortador no formato que desejar, ou em quadradinhos. Cobrir com  confetti e assar em tabuleiro untado. Forno pré-aquecido 180° por aproximadamente 20 minutos.
Se quiser, depois de frios, pode cobri-los com chocolate. Também fiz uns em forma de palitos e coloquei chocolate e bolinhas douradas. Enfim, é uma receita muito versátil, use sua criatividade, e a dos seus pequeninos!


Enquanto eu tirava as fotos (essas são minhas, não do Marcel, por isso a queda na qualidade da imagem), tive a visita de um querido que gentilmente veio pedir um pedaço de biscoito.



Para acompanhar, essa doçura de sabiá cantando com o papai. Luiz Salgado e Antônio Sabiá. Amigos com quem tive a honra de trabalhar, ilustrando o cd Navegantes. 

Salmão grelhado com mango salsa e purê de batata baroa


Esses dias estava fazendo uma retrospectiva dos posts aqui do blog e comprovei uma impressão que já tinha: ando comendo menos carne vermelha.
Não que eu tenha desgostado, continuo adorando uma carne cozida por muuuito tempo e não recuso um convite para uma boa churrascaria.
Para tristeza da minha irmã, estou longe de virar um vegetariano, então acho que é só um ajuste natural e necessário para uma alimentação mais correta.

E pra reforçar essa conclusão, aí vai mais uma receita de peixe grelhado. 
Em casa gostamos muito de salmão, tilápia e surubim, mas fique a vontade para substituir por alguma opção de sua preferência.
Só não deixe de experimentar esse molho divino, aprendi a fazer o mango salsa com o Victor no dia que ele preparou esse prato, impressionante como poucos ingredientes podem fazer tanta diferença!


Ingredientes:
(serve 4 pessoas)

Grelhado
- 4 filés de salmão (+-200g cada)
- shoyu a gosto
- azeite a gosto
- sal a gosto

Mango salsa
- 1 manga pequena (ideal que ela esteja madura, mas firme, aqui a gente chama "de vez" rs)
- 1 pimenta dedo de moça
- suco de 1 limão
- sal
- salsinha e cebolinha a gosto (eu gosto de colocar coentro também)

Purê
- 300g de batata salsa/mandioquinha/batata baroa
- 200g de batata comum
- 250 ml de leite de coco
- 2 dentes de alho
- 2 colheres (sopa) manteiga


Preparo:

Purê
Em uma panela de água fervente com uma pitada de sal cozinhe as batatas descascadas e picadas até que fiquem bem macias.
Escorra a água, acrescente o leite de coco, os dentes de alho a manteiga e bata com um mixer ou no liquidificador até chegar na consistência desejada, acrescente água se necessário.
Corrija o sal e reserve.

Mango Salsa
Descasque a manga e pique em cubos bem pequenos.
Retire as sementes da pimenta e corte o mais fino que puder.
Acrescente o suco do limão, as ervas bem picadas e o sal.
Misture e reserve.

Salmão
Acrescente o shoyu, sal e azeite e deixe marinar por 5 minutos.
Em uma frigideira antiaderente bem quente grelhe os filés. Evite ficar mexendo, o ideal é virar só uma vez com muito cuidado, assim o risco dele desmanchar é menor.

Agora é só montar. Eu gosto da brincadeira de colocar o purê em uma cumbuca ou tigela pequena dentro do prato. Aí é só colocar o mango salsa sobre o filé e acrescentar algumas folhas. Bom apetite!

E para acompanhar, vou indicar uma banda que escutei muito no fim dos 90 e que agora volta com um novo disco bem bacana: Matchbox Twenty.





Encontro Gourmet 2012


Neste último sábado, dia 29, aconteceu em São Paulo o primeiro Encontro Gourmet, evento que reuniu durante o dia foodbloggers de todo o país.
Eu e Alice fomos até lá conhecer de perto outros apaixonados por gastronomia.

Ficamos completamente surpresos com o espaço e a organização do evento que aconteceu no Nacional Club, além da quantidade de estandes e patrocinadores de primeira linha distribuindo super brindes e promovendo degustações deliciosas.

Durante todo o dia aconteceram mais de 13 workshops em duas bancadas com assuntos diversos: harmonização de cervejas, tendências, cozinha molecular, fotografia... Uma quantidade enorme de informação essencial para quem gosta, escreve e pesquisa sobre o mundo da gastronomia.

Mas o melhor foi ter a oportunidade de conhecer pessoalmente tanta gente que só conversávamos por emails e mensagens, e perceber que toda a afinidade e carinho trocados pelo mundo virtual são ainda maiores na vida real. Foi muito legal estar perto de tantas pessoas que já admirava sem conhecer ao vivo, e que agora admiro ainda mais. Só não foi melhor porque um dia foi pouco pra conhecer e "prosear" com todos.

Como se já não fosse sorte demais poder estar ali, todos nós trouxemos pra casa um kit com muitos produtos dos patrocinadores e eu ainda ganhei no sorteio final uma "caixinha" da La Pastina cheia de produtos deliciosos. Isso sim é fechar um dia com chave de ouro!

E por falar em patrocinador, é importante agradecer a quem ajudou a viabilizar este grande evento:


- GE
- Ades
- Azeites Andorinha
- Pullman
- Sadia
- Fleischmann
- Nestle
- Eecoo
- Mymix
- Peixe Urbano
- Dilleto
- Catupiry
- Fernanda Ribeiro Bolachas decoradas
- Banqueteria Nacional
- 3 Corações
- Baden Baden
- Cachaças Leblon
- Class Bar
- CAU Chocolates
- La Pastina
- Cooklovers Livraria Gourmet
- Mundo Empório
- Queijos Cruzília
- Utilplast
- Shop Festa
- Phant


Queria parabenizar mais uma vez a Cecília (Yes We Cooking) a Dani (Cinebistrot) e a Sandra (Receitas do Caldeirão), pelo empenho e carinho em realizar um evento tão bonito. Vocês deram um show!

A equipe organizadora na bela cozinha montada pela GE
Mesa com delícias feitas por blogueiros de todo o Brasil
Mais delícias feitas pelos foodbloggers
O pessoal da Class Bar preparou drinks deliciosos com a Cachaça Leblon
Eduardo Passarelli no excelente workshop de harmonização da Baden Baden
A Chef Dani Padalino no workshop de comida molecular
A Banqueteria Nacional preparou uma mesa cheia de comidas lindas e saborosas

Algo como um sushi de cogumelo no copinho, lindo de ver e de comer.
Da série "como não pensei nisso antes": feijão tropeiro no palito. Comi uns dez.
A Barista Blanca Diocedo da 3 Corações desvendando alguns segredos do café
Workshops cheios até a noite
O Davi foi lá ver de perto o evento.
Eu e minha irmã querida
Cecília, Sandra, eu, Carla e Dani. Só gente querida! 
Olha a caixa que ganhei no sorteio da La Pastina, show!

A cozinha da Alice # 23 - Receitas, abraços e presentes

Gente, não dá pra traduzir em palavras, mas vou tentar explicar. Sabe aquele fim de semana que merece um porta retrato na sala? Então. Foi assim. Marcel e eu, junto aos nossos amores, fomos ao Primeiro Encontro Gourmet em São Paulo, onde conhecemos tanta gente tão amável... Mas vou fazer um pouco de suspense, e deixar esse assunto para o próximo capítulo. Aprendi muitas receitas e técnicas novas. Até aquelas tendências da cozinha contemporânea e molecular que a gente mistura um pozinho em um liquidinho e faz comida mágica que derrete na boca. Nos esbaldamos em restaurantes deliciosos e bem posicionados no ranking  de chefs brasileiros, e nos presenteamos com banquetes como os que a gente vê nos filmes do antigo império romano, de fazer a gente voltar pra casa rolando, rindo e falando "putz, exagerei!". 
Foram muitos presentes, daqueles que nos fazem sentir imensa alegria de viver. O primeiro deles foi esse vídeo lindo que ganhei da Lara e do João, que estiveram nesse Brunch e fizeram essa poesia em forma de filme:


A cozinha da Alice from Canção de amor filmes on Vimeo.

A cozinha da Alice # 22 - Brunch ou piquenique dentro de casa

Por aqui quase sempre o calor é exagerado. Na última semana de "inverno" vivemos intensos 36°. Em todos os cantos, esquinas e casas, os diálogos sempre começam assim: "Nada de chuva, heim? Quando será que vem a chuva? Ah, pena que ainda demora a chuva."
Um belo dia acordamos com cheiro de beterraba e.... de repente... acho que... tá  chovendo!!!! Sorrisos, bom humor, bolinho de chuva. E, então, dois ou três dias seguidos os diálogos começam alegremente com: "Até que enfim a chuva! Como é bom ter chuva!"
Só não pode durar mais que 4 dias, porque senão ninguém mais sai de casa e todos os diálogos viram: "que meleca de chuva que não para!..."

Minha nova entrada/salada preferida.



Semanas atrás fui à SP, e o mais difícil para quem não vai com tanta frequência é decidir onde comer com tantas opções, mas um lugar que não podia deixar de conhecer era o ICI Bistro, do Chef Benny Novak.
Para completar a experiência tivemos excelentes companhias: Sandro Marques e suas adoráveis Lívia e Ângela.

A cozinha da Alice # 21 - Comida para filhotes

Coisa mais linda e feliz é ver criança rindo, brincando e comendo. Sábado teve um brunch para filhotes na casa do Marcel, pra comemorar antecipadamente o aniversário do Luca com a criançada da vizinhança.  Fiquei encarregada das comidinhas e de uma pequena oficina de cupcakes para os lindos pequenos.
Luca na oficina de cupcakes

Maçãzinha da vó, também tingido com beterraba

Venho pesquisando sobre esse assunto há alguns meses. Seja porque tenho bebês vegetarianos, seja porque adoro fazer "ilustrações comestíveis", e porque amo poder fazer comidas saudáveis e coloridas. Além disso, tivemos na pele, esses dias, a experiência de ver o que um corante artificial é capaz de fazer com uma criança. Então, pensei em ingredientes que dão muita cor, e puras e cintilantes vitaminas, proteínas e alegrias!!! Nada de  artificiais (ou o mínimo possível) . Acredito que alimentação saudável também é uma questão de educação. Vale a pena incentivá-los a comer frutas e verduras, mesmo que, às vezes, tenhamos que "disfarçá-los".

Tilápia grelhada com arroz de coco e palmito



Olá pessoal!
Depois de alguns dias sumido estou de volta. Gerenciar a correria de fim de ano na agência (sim, o ano já está acabando de novo), a família e os filhotes em casa e essa outra cria virtual aqui não está fácil.
Ando até cozinhando bastante, o difícil é pensar em pratos diferentes que mereçam ser compartilhados, anotar receita, fazer uma foto decente, escrever post... Parece mais simples do que é de fato.